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O actor mais velho do mundo

O ator nasceu a 1 de março de 1927, em Lisboa, e celebrou o seu 99.º aniversário no início de março de 2026. É oficialmente reconhecido como o ator mais velho do mundo ainda em atividade, um marco impressionante que ele continua a honrar com o seu regresso aos palcos.

O Arquivo da RTP está trancado

É um acontecimento extraordinário! O Ruy de Carvalho, aos 99 anos, vai mesmo regressar aos palcos com a peça "A Ratoeira" no Coliseu Porto.

Data: O espetáculo está marcado para o dia 22 de abril de 2026, às 21h30. Este regresso acontece após um período de recuperação do ator, que sofreu um AVC em dezembro de 2025. Segundo o encenador Paulo Sousa Costa, foi o próprio Ruy de Carvalho quem mais insistiu para voltar a trabalhar.

A Peça: Trata-se do clássico de Agatha Christie. Ruy de Carvalho interpreta o papel de Major Metcalf. A escolha desta peça foi também estratégica, pois permite ao ator estar presente em momentos-chave sem a exigência física de uma permanência contínua e exaustiva em palco.

Bilhetes: Já se encontram à venda, com preços que variam entre os 28€ e os 35€ (dependendo do lugar, como plateia ou tribuna).

Notável, fantástico, muitos parabéns

Edição de 25 a  30 Março de 2026, com actualizações diárias

Editorial 

Salazar quis encontrar-se

com Agostinho da Silva


No café Martinho da Arcádia,  em Lisboa,  Agostinho da Silva e Fernando Pessoa idealizaram o  Bloco dos Povos de Língua Portuguesa, a partir da frase "a minha Pátria é a língua portuguesa"


Impressionado com a ideias de Agostinho da Silva sobre a formação de um grande bloco de povos de língua portuguesa, e com a sua repercussão na América Latina e em África, Salazar quis encontrar-se com o Professor, então exilado, por questões políticas, no Brasil.

O Presidente co Conselho tomara conhecimento das ideias de Agostinho da Silva através de referências (entusiásticas) de Franco Nogueira e Adriano Moreira, preocupados com o avolumar da questão colonial.

Foi no café Martinho da Arcádia, em Lisboa, que o Professor, regressado de Espanha, e Fernando Pessoa idealizaram (nos últimos meses de 1935) o referido bloco, a partir da frase "a minha Pátria é a língua portuguesa", do autor da Mensagem.

Os próprios líderes independentistas da Guiné, Angola e Moçambique - Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Eduardo Mondlane, respectivamente - iriam seguir com acentuado interesse as posições de Agostinho da Silva, que chegou a realizar, apoiado pelo presidente brasileiro Jânio Quadros, 


um grande congresso sobre lusofonia com a presença de representantes de todos os territórios de língua portuguesa.

A delegação de Lisboa foi chefiada por Marceĺo Caetano, ganhando (temporariamente) uma imagem de abertura à descolonização. Curioso, Salazar quis então encontrar-se com Agostinho da Silva, secretamente, sem a comunicação social nem a Pide suspeitarem, dada a situação do visado.

Reunindo-se com Franco Nogueira, ministro dos Negócios Estrangeiros, o chefe do Governo traçou um esquema para, iludindo a polícia, permitir o encontro. Após demorado serão na residência de São Beno, a que D. Maria, a terrível governanta assistiu, o plano teve luz verde.

Contactado, o Professor achou-lhe graça, fez uma maleta e tomou um avião tendo, no entanto, e à cautela, fazer-se acompanhar do seu passaporte brasileiro.

O inesperado surgiu quando ele desembarcou na Portela: perspicaz, o pide de serviço detectou-o e não o deixou entrar. Foi preciso Franco Nogueira, interrompendo um banquete nas Necessidades, ir ao aeroporto pedir ao polícia para deixar entrar e, o mais importante, deixar sair no dia seguinte, aquele incógnito convidado do senhor Presidente do Conselho.

Assim sucedeu. Não podia, porém, haver concordância entre Salazar e Agostinho, pois o projecto deste implicava a independência total das colónias portuguesas, o que o governante, como se sabe, nunca aceitaria.

 Surrealistas portugueses

Gatos em cafés


"O surrealismo nunca acaba", afirma Paula Rego, "pois é-se sempre surrealista, só que não se fala nisso". Com o passar dos anos o surrealismo solta-se do tempo e do espaço


Afirmados há 80 anos, fá-los agora, em Portugal, os surrealistas foram grupo mais libertário e incómodo da nossa cultura.  Ousados, independentes, caóticos, os cultores do surrealismo (o que está para além do real) marcaram a arte, a literatura, a filosofia, os comportamentos deste século. Em meia dúzia de anos, à mesa de cafés, perturbaram (como fazem os gatos) a vida portuguesa, convocando-a para a modernidade e a liberdade.

O movimento emergiu em 1946, entre jovens artistas e intelectuais que frequentavam o café Gelo, no Rossio, em Lisboa, duas décadas depois de se ter afirmado em França.

Antes, noutro café (o Herminius), outros jovens (estudantes da Escola António Arroio) haviam avançado com propostas anunciadoras da nova corrente. Cesariny, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom, Vespeira, Moniz Pereira e Pomar, a que se juntam António Pedro, Paolo, Júlio, Costa Pinto, Alexandre O´Neill, José Augusto França, Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, 

António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, António Dacosta, Areal, Escada, Vespeira, Natália Correia, Luiz Pacheco tornam-se-lhe referências.

Hostilizados pelos salazarista e comunistas, mal vistos pelos católicos e burgueses, marginalizados pelos jornais e 

e universidades, acabaram, três anos depois, por separar-se. António Maria Lisboa morre, Cesariny vai para Londres, Cruzeiro Seixas para África, Henrique Leiria para a América Latina

Eles sabem que a primeira, a grande revolução é a sexual; que as outras vêm por acréscimo ou não vêm. Não é tanto por motivos políticos que passam a ser denegridos, mas por comportamentos de costumes, de moral. Alguns, caso de Cesariny, veem-se perseguidos pela polícia, que os humilha arbitrariamente, pelos detentores dos poderes, que os marginalizam economicamente, pelos líderes de opinião (à direita e à esquerda), que os achincalham publicamente.

"Tão conservador como o Estado Novo, em questões morais, o PCP ridicularizava, combatia todos os autores que não fossem neo-realistas", evocava Natália Correia.

Uma nova tentativa de afirmação sua ocorre em 1958 (também no Café Gelo) através de João Rodrigues, Gonçalo Duarte, Ernesto Sampaio, José Sebag – e surge o surrealismo abjeccionista. "O surrealismo nunca acaba", afirma Paula Rego, "pois é-se sempre surrealista, só que não se fala nisso". Com o passar dos anos o surrealismo solta-se do tempo e do espaço, emergindo por todo o tempo e espaço.

"O neo-realismo tinha um aparelho político subjacente. Ocupou jornais, editoras, revistas. Os surrealistas ocupavam, quando muito, mesas de cafés", anota Cesariny. "Por isso tiveram como símbolo a figura do gato".s.

Trancados... os Arquivos da RTP - serviço público

Não é possivel ver a notável entrevista de Ruy de Carvalho a Fátima Campos Ferreira no You Tube  porque...os arquivos da RTP estão trancados! infelizmente. Os Arquivos da RTP são um cofre de memórias a ganhar pó, numa lógica de propriedade que ignora quem paga a conta: o contribuinte.

É de uma prepotência institucional inaceitável. Esquecem-se que as reportagens não são propriedade absoluta da empresa. Há direitos de quem as fez e, acima de tudo, o livre direito de quem as financiou: o contribuinte

Manter este tesouro sob sete chaves é um crime contra a cultura e a informação. O futuro exige que o passado seja partilhável, porque não é uma quinta  administrativa de alguns funcionários transmitida a filhos, agora funcionários. Libertem o arquivo!

José Marques Vidal    

resume 'O Herói Esquecido'


"Recriar a história de um ser humano desaparecido há quase século e meio, que com 16 anos começou a combater no Rossilhão, depois nas Invasões Francesas e na Guerra Civil entre Miguelistas e Liberais é um bico-de-obra, porque a realidade de uma vida aventurosa  e sedutora, pois casou quatro vezes,  supera sempre a imaginação a quem procura suprir-lhe as lacunas pelo recurso à inventiva. 

Motivado pela recta intenção de retratar um herói do povo do meu concelho, ignorado pela História que é fértil em bajular os grandes e esquecer as massas anónimas que lhe sustentam a glorificação, corri o risco de, levado pela imaginação, deturpar os passos e sentimentos reais da vida de João Ferreira de Vasconcelos, que teria sido homem de muitas mais virtudes do que as que lhe atribuo na pele de João do Préstimo."

O afável director da Judiciária

José Marques Vidal prepara-se para lançar "O Herói Esquecido", uma obra que promete resgatar do silêncio figuras e episódios cruciais da nossa história. Fora dos holofotes, Marques Vidal foi sempre um homem afável, mas no terreno revelou-se um estratega empenhado no combate ao crime sem tréguas. O antigo diretor da Polícia Judiciária somou polémicas, é certo, mas fê-lo sempre com uma clareza rara, sem nunca se esconder atrás de jogos de palavras.

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Trump vai parar a guerra contra o Irão


China avisou que precisa de petróleo 

Guerra de Trump custa aos americanos  mil milhões de euros  por dia


A guerra de Trump e Netan contra o Irão está beira do fim. Por dia, custa aos americanos mil milhões de euros. Os EUA precisam desse dinheiro para ressuscitar a sua economia. O dólar está a ficar fraco. 

A China já impõe no mercados internacionais a sua moeda, yuan, e precisa do petróleo do Golfo Pérsico - porque já perdeu o abastecimento da Venezuela, onde nada mudou com o sequestro de Maduro. 

No contexto do Irão, o primeiro sinal de fraqueza de Trump foi a retirada do  porta-aviões nuclear Gerald Ford, agora nas águas de Creta por causa de um incêndio na cozinha.

As vagas de bombardeamentos não retiraram força ao Irão, que continua a despejar drones na região, onde os EUA têm  25 bases militares. Os drones são máquinas baratas em comparação com os aviões sofisticados e caríssimos dos EUA e de Isra3l. É o triunfo do pouco contra o muito, da astúcia contra a opulência.

Mesmo sem drones, não seria possível transformar o país dos 90 milhões de persas noutra Faixa de Gaza. Aliás, o ataque ao Irão fortaleceu a teocracia dos Xiitas, que repete ao povo: "estão a ver quem vos vinha libertar?"

Trump só sabe semear o caos. É contraditório, inculto, desrespeitoso e não tem soluções para além dos ´resortes`. E Netan tem demasiados mísseis hipersónicos a cruzar os céus de Isra3l. Trump tem insistido na navegação trapalhona e à vista, e está a acenar com Cuba, como fuga, mas a Flórida não quer concorrência.  

Em boas verdade Trump e Netan transformaram-se em grandes  problemas. O mesmo acontece com Putin, que abriu a caixa de Pandora.  

E a primeira pergunta será: qual o destino que  a alta finança reserva, para breve, a Trump, Netan e Putin?

E a segunda pergunta poderá ser: os poderosos (que estão por detrás dos arbustos) vão apoiar a Europa, para assim recomeçar a política que Portugal iniciou há 500 anos, quando abriu caminho para a India, Brasil, China e Terra Nova, hoje Canadá? 

Os poderosos  adoram os ciclos de prosperidade que se seguem aos períodos de caos, porque lhes enchem os bolsos e alimentam a vaidade. A.J.Breda

O elogio da loucura

O caso Eva Cruzeiro: o insulto do Chega e a distração do PS

A loucura está à solta na Assembleia da República e o caso da deputada Eva Cruzeiro é o exemplo mais evidente. Um deputado do Chega, Filipe Melo, decide mandar uma deputada "para a sua terra", por causa da sua cor de pele e a resposta do sistema foi um insulto aos eleitores portugueses. 

Em rigor, o deputado Felipe Melo tem estado  associado a vários comportamentos  muito censuráveis. Por exemplo, os beijos para Isabel Moreira, em plena sessão da Assembleia da República.

Por causa  do vai para a tua terra, Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista, acusou o deputado do Chega de racismo e xenofobia. E o que faz a comissão parlamentar nomeada para o assunto? Sancionou Eva Cruzeiro, por considerar a resposta da deputada  "desapropriada". 

Pior, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista afirma agora que votou por distração a favor da sanção, contra a deputada. Foi "por engano". 

E elogio da loucura do Chega já contaminou o Partido Socialista. josé ramos e ramos

Escândalo

Mário Centeno, fingindo ser o Padre António Vieira

14331 euros de reforma aos 59 anos

Mário Centeno, que finge ser um  Padre António Vieira dos tempos modernos, pregava o rigor e das contas certas, mas acabou num lapidar truque de magia: reforma-se aos 59 anos com uma pensão de 14.331 euros mensais. 

Quis ser primeiro-ministro pelo Partido Socialista e construtor de uma nova sede para o Banco de Portugal, que custaria 200 milhões de euros.

E agora reforma-se com uma pensão que é um insulto aos portugueses. Ja não bastava Jardim Gonçalves que chegou a ter uma pensão de quase 170 mil euros, que o tribunal reduziu para os actuais 67 mil euros mensais.

Construímos um Portugal de dois andares: um piso para o povo, com a austeridade e o prolongamento da idade ativa; outro piso para os políticos de topo, com as regras especiais e as pensões de marajá, antes de chegarem aos sessenta. 

Como diria o Ricardo Araújo Pereira, isto é gozar  com quem trabalha. E ainda nos queriam a bater palmas às suas capacidades. Victor D. Silva

Cartoonistas americanos riem de Trump e Companhia

Jóias Dinásticas


no Hotel de la Marine, em Paris


Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani, é um proeminente coleccionador do Qatar e um apaixonado por arte e um grande mecenas.

Este Príncipe lembra a família Medici, que governou Florença e depois a Toscana até 1737, com alguns intervalos no meio. Além de muitos empreendores, os Medicis amavam arte e como mecenas financiavam e investiam em arte.

MEDICI: MASTERS OF FLORENCE (Starring Richard Madden) - Official Trailer

O espólio "Tesouros da Colecção Al Thani" do Sheikh Hamad bin Abdullah Al-Thani está exposto permanentemente em quatro galerias do edifício histórico, Hotel de la Marine, na Place de la Concorde, em Paris. A colecção inclui 120 obras de arte excepcionais, desde a Antiguidade até ao século XIX.

A Colecção Al Thani no Hôtel de la Marine

Esta magnífica colecção tem um direito de uso por 20 anos sobre um espaço expositivo no Hotel de la Marine, este espaço museológico apresenta as obras de arte provenientes de toda a colecção, além de acolher uma série bienal de exposições temáticas e empréstimos individuais de museus internacionais.

O espaço museológico é o resultado de um acordo de longo prazo entre a Fundação da Colecção Al Thani e o Centre des Monuments Nationaux (CMN), responsável por este edifício histórico emblemático.

Até Abril de 2026, a Colecção Al Thani, no Hotel de la Marine, em Paris, apresenta o terceiro capítulo de uma trilogia de exposições organizada em colaboração com o Victoria and Albert Museum, a mostra: Jóias Dinásticas.

Após as duas edições anteriores, dedicadas respectivamente às artes da Idade Média e do Renascimento, esta exposição agora patente no Hotel de Paris, reúne jóias magníficas, raras, históricas e de grande importância, provenientes tanto das colecções do prestigiado museu londrino Victoria & Albert quanto da Colecção Al Thani, muitas das quais são exibidas na França pela primeira vez.

Ainda bem, que este magnífico espólio com diademas lindíssimos das imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória e de outras princesas, estavam no Hotel de la Marine, em Paris e não no Louvre, senão tinham sido também roubadas em Outubro 2025.

Poder, prestígio e paixão: estas três palavras resumem, por si só, a exposição Jóias Dinásticas e condensam os desafios ligados à posse de gemas e jóias por soberanos e elites.

Poder, antes de mais, porque as jóias não são apenas adornos, mas verdadeiros atributos do poder. Embutidas em coroas, disseminadas nas vestes, integradas nas insígnias régias, encarnam a autoridade soberana, a legitimidade dinástica e a estabilidade do trono.

Prestígio, em seguida, porque as gemas afirmam a posição social, a prosperidade e também o poder de sedução de uma corte, a sua capacidade de maravilhar, impressionar e até intimidar.
Paixão, por fim, de que as jóias são portadoras: paixão íntima pela beleza pura das pedras, paixão amorosaquando a jóia se torna penhor de união e fidelidade, e também paixão pela posse das peças mais raras.


Assim, diamantes, pérolas, safiras, rubis e esmeraldas são exibidos ao longo dos séculos em diademas,  coroas, colares, pulseiras, anéis, pregadeiras, brincos e punhos de espada, graças ao talento de artistas e artesãos prodigiosos. Os soberanos e as cortes reais e imperiais europeias dos séculos XVIII e XIX, seguidos


Diadema Manchester. Cartier Paris, 1903. Diamantes, prata, vidro. Créditos da imagem: ©Victoria and Albert Museum, London. Doação ao governo britânico, atribuída ao Victoria and Albert Museum, 2007. Colecção Victoria and Albert Museum, London, 1979. Cortesia Al Thani Collection, Paris.

 pelos ricos da "Gilded Age", da Era Eduardiana e da Belle Époque, fizeram largo uso desses tesouros para brilhar, antes que a viragem do mundo redistribuísse essas pedras preciosas e jóias por outras mãos ou as transferisse para as vitrinas dos museus.

É à descoberta desta epopeia verdadeiramente espetacular que "Jóias Dinásticas" nos convida, a exposição homónima da qual o Centre des Monuments Nationaux (CMN), se orgulha de participar.

O evento oferece-nos a oportunidade de admirar as "Jóias Dinásticas" pela imensa qualidade e ambição desta exposição, que dialoga de forma poderosa com o cenário que a acolhe: o Hotel de la Marine. É de considerar também o Victoria & Albert Museum, que se associa a esta aventura com o comissariado de Emma Edwards e o empréstimo de cerca de sessenta jóias de dinastias russas, francesas e inglesas. É de apreciar os proprietários públicos e privados que aceitaram separar-se temporariamente de gemas raras e de joias para esta exposição.

Créditos da imagem:© The Al Thani Collection, 2018. All rights reserved. Fotografia: Prudence Cuming Associates Ltd. Colecção Al Thani Collection, Paris. Cortesia Al Thani Collection, Paris

Os visitantes do Hotel de la Marine podem admirar estas preciosidades de outros tempos, que nada perderam do seu poder de fascínio ao lado dos retratos das soberanas que as usaram..

A jóia, expressão intemporal de poder e prestígio, revela-se aqui também como um objecto íntimo, portador de sentimentos e mensageiro de favores reais. A exposição reúne jóias associadas ao reinado de figuras emblemáticas da história europeia, como as imperatrizes Catarina II da Rússia, Josefina, Maria Luísa da Áustria e a rainha Vitória.

A mostra conta com empréstimos excepcionais de instituições como a Royal Collection, graças à generosidade de Sua Majestade o rei Carlos III; os "Historic Royal Palaces", graças à generosidade do Duque de Fife; o "Musée National du Château de Compiègne"; o "Domaine National du Château de Fontainebleau"; 

o "Musée National d'Histoire Naturelle"; e o Musée de Minéralogie Mines, Paris; assim como as colecções patrimoniais da Cartier, Chaumet, Mellerio e Van Cleef & Arpels.

Pedras lendárias, diademas sumptuosos, alfinetes deslumbrantes e colares de aparato compõem uma linguagem faustosa — a das cortes reais — na qual cada gema revela o status, a linhagem e a autoridade do seu ilustre detentor.

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Fui a Paris para ver Renoir


Fui visitar de propósito o Museu d'Orsay, em Paris, para ver o quadro "O Baile no Moulin de la Galette", de Renoir, que tanto me apaixona, até porque o museu faz 40 anos desta casa de luz. Que tempo este, em que a matéria se faz claridade! A obra é o coração de "Renoir e o Amor", onde o mundo parece uma manhã eterna. 

Em Montmartre, o povo dança sob um sol que pinga das árvores, criando manchas de ouro na carne e nos trapos. É uma modernidade alegre, de pincelada fluida, celebrando o baile e a vida no seu 150.º aniversário.

Mas, entre tanta claridade, espreita a sombra. "O Desesperado" de Courbet, vindo de mãos privadas, olha-nos com olhos de abismo. Tu sentes o contraste?De um lado, o riso que flutua no ar de Paris; do outro, o grito mudo de um homem que se rasga. 

O museu é este lugar onde o contentamento se cruza com a dor mais funda, oferecendo-nos a angústia de um e o esplendor de outro. Vós que passais, vede como a tinta ainda pulsa, quente e terrível. 

J.P.Saragoça

Quai d' Orsay, Paris: 

os jovens sabichões


Uma jovem sentou-se ao meu lado num banco corrido do Museu d'Orsay, ao mesmo tempo que um pombo entrou inesperadamente por uma claraboia do museu e pousou, manso, sobre a moldura dourada do Renoir. Eu sacodi a manga do casaco e disse-lhe:


- Vê, minha menina, como a luz ali não é tinta, mas o próprio hálito da vida? E a estudante respondeu: - É mais do que luz, senhor. Olhe a psicologia daqueles rostos no baile; Renoir não pinta corpos, ele pinta a euforia de quem esqueceu a morte por um instante. - e eu suspirei, olhando as manchas de sol: - A menina tem olhos de ver. Renoir disseca a alegria com a mesma precisão com que outros dissecam a dor.  A jovem sorriu, apontando para o centro da tela: - Cada pincelada é um batimento cardíaco, uma negação da sombra que nos habita. - E eu murmurei: - Sim, porque no fundo de cada cor alegre, ele escondeu a nossa fome eterna de sermos felizes. - E ficamos imóveis e eu pensei, já não no quadro, mas nos jovens hoje. São diferentes, porque podem viajar e por isso já conhecem melhor a vida. Raul B. Gomes

Rita Rato: afinal era boa demais!

O afastamento de Rita Rato da direção do Museu do Aljube prova que nunca estamos bem quando... finalmente estamos bem. 

Rita Rato fez um trabalho notável naquela casa de memórias; ao princípio, todos diziam, com as suas bocas cheias de certezas, que seria uma escolha errada. Mas ela foi em cheio, lavou a face da antiga prisão política e deu-lhe uma dignidade que poucos esperavam.

Agora, puseram-na na rua. Não interessa o partido onde ela gastou os dias como deputada; o que conta nesta história é o suor que deixou no solo do compromisso. E a qualidade!  A taça transbordou, como se o champanhe do sucesso fosse um pecado.

Rita  entregou o corpo ao trabalho e a colheita foi farta, e por isso o tempo dela acabou. É a velha história dos homens que não suportam ver uma vinha florescer, sob a mão de quem eles não escolheram. João S. Lima

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Ai! o que pensar da IA?


Passar-a-Palavra

Margarida Davim: Adão e Eva

Deus, Pátria e Família. Deus, porque é preciso haver quem mande. E a quem temer. Sem medo, isto é tudo uma bandalheira. Pátria, porque é preciso fingir que há uma coisa maior que une os mais poderosos dos poderosos aos miseráveis que os seguem alegremente. 


É preciso ter inimigos e as fronteiras são boas para isso. Há os de cá e os de lá. O que é que interessa que haja uns poucos no topo e milhões espezinhados na base? E a família, claro. Porque é a família que tem de nos cuidar quando precisamos. Não há cá direitos garantidos. Querem ajuda? Peçam à família. 

E na família manda o pai, claro, ele próprio um eleito à sua pequena escala, com livre passe para descarregar na mulher e nos filhos a frustração acumulada, que isto um homem não é de ferro. E se tudo continua mal, ao menos há futebol e pimba, que já ninguém liga ao fado e Fátima é coisa para mulheres se entreterem e perceberem o seu lugar.

Toda a gente tem um lugar. Há os que são de cá e os que são de fora. Há os que estão em cima e os que estão em baixo. O quê? Isso parece o sistema? Que conversa de comunas! Caladinhos. Vão ver como as coisas lhes mordem quando houver uma limpeza. 

Acabam-se os disparates, que a conversa do "isto agora não se pode dizer nada" é só quando nos convém. Perdão. 

Quando convém à ordem. Somos contra o sistema, mas queremos manter tudo como estava desde os tempos do Adão e da Eva. Já vos disse que a ordem é muito importante?  (trazido para passar-a-palavra do Face de Margarida Davim)

Passar-a-Palavra

Mia Couto: a Literatura me salvou

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João Fazenda o ilustrador português do New Yorker na Casa da Imprensa

Num tempo em que as cores já não eram baças, mas a mão logo tratou de lhes dar a vibração da vida e a geometria do pensamento, João Fazenda já andava pela New Yorker

O traço era nítido. A ideia era um golpe seco. Nascido em Lisboa, em 1979, ele não desenha apenas figuras; ele esculpe o vazio com a linha, povoando o silêncio de gentes que parecem feitas de música e de memória. O seu traço é como o mar na foz: ora límpido, ora revolto em formas que se dobram sobre si mesmas para encontrar o que está escondido atrás do rosto.

Nesta sua caminhada, o ilustrador apresenta agora a exposição "Contra-relógio – Ilustrações de Imprensa", patente na Casa da Imprensa em Lisboa até ao dia 7 de março de 2026. Ali, as suas frases visuais são curtas e certeiras. João já andava pela New Yorker com esse mesmo rigor. No Largo da Horta Seca, o seu trabalho demonstra como a tinta se torna opinião e o boneco política pura. 

A obra ilumina o que é simples. Desenha a alma sem usar palavras. 

Lago dos Cisnes 

St Petersburg Ballet Theatre  


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A Nova VISÃO

 de Margariuda Davim

Os jornalistas da Visão planeiam um negócio "prudente e realista" para os próximos dez anos. A estratégia foca-se na viabilidade económica, evitando riscos financeiros desnecessários. 

A meta de 200 mil euros foi atingida para permitir a compra do título em leilão. 

Gaza volta a ser bomdardeada

Os palestinianos morrem de sede sob um céu de fogo, enquanto a água lhes é roubada pela mão de ferro que tudo boicota. É o horror puro: eles não têm pão, eles não têm combustível, eles não têm nada senão o pó da destruição. Em Telavive, vive-se o brilho fútil de uma cidade europeia; ali mesmo ao lado, na Faixa de Gaza, morre-se com a crueza do Sudão do Sul. Nós olhamos e nada fazemos. 


Tu sentes o aperto na garganta perante este silêncio? Vós, que detendes o poder, permitis que eles sejam reduzidos ao nada. É inaceitável que uns habitem o conforto enquanto outros se finam na lama da miséria. A morte por sede é a mais lenta das demolições humanas. Raul B. Gomes


Menina carrega irmã em busca de auxilio

O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. As crianças estão a morrer de fome em casa enquanto os bombardeamentos incessantes reduzem a pó os acordos inúteis assinados em gabinetes distantes. 


https://youtu.be/2oDByFG1jVk?si=L_eC60dKFGyYkYf8

A difícil arte do humor

China lidera 'ranking' mundial de universidades 

https://youtu.be/Cs45UV_DUIw?si=nEhhAa2ikP32KHD_

https://youtu.be/qdlEqd30MYM?si=LIlQS5xZDiNbnjxX

https://youtu.be/m4AZcZKpf-s?si=3j6svEpH-EH__j9u

A China lidera agora o ranking mundial de universidades, consolidando a sua hegemonia no conhecimento e na inovação tecnológica. Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global. 

Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta. Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim. 

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É urgente passar-a-palavra

Moita Flores: Perdemos um homem bom

Mário Zambujal (1936-2020), natural de Moura, foi um proeminente jornalista e célebre escritor português. Com uma vasta e rica carreira, destacou-se profundamente na imprensa escrita, na televisão e na rádio. Trabalhou em redações marcantes como "A Bola" e "O Século", cultivando um estilo literário muito cativante. A sua prosa é inconfundível, sendo sempre caracterizada pelo humor, ironia e um olhar muito humano. Na bibliografia, o seu estrondoso sucesso de estreia foi a obra "Crónica dos Bons Malandros" (1980). Destacam-se também outros livros muito aclamados pelo público, como "Histórias do Fim da Rua" (1983). 

ATÉ UM DIA, MARIO! Hoje, perdemos um homem bom. Um jornalista de primeira água. Um escritor de excelência. Éramos conterrâneos. Fomos vizinhos. Fomos amigos durante meio século. 

Mário Zambujal era a sabedoria mansa. O humor inteligente. A caneta que fazia amor com as palavras. O amigo do sorriso definitivo.Hoje, perdemos um homem bom! É com mágoa que me despeço de ti. Até um dia, Mário! (trazido do Face de Moita Flores)

Natália Correia:   Ó povo ergue-te da tua lama


Ocupados a ser / o que não somos, / deixamos de viver / por bons modos. / Morremos de asseio / e de respeito, / com um medo cheio / dentro do peito. / Ó povo de linho / e de silêncio, / que fazes do espinho / o teu incenso. / Ergue-te da lama / da tua calma. / E põe a chama / na tua alma. O

Este é o País que a dor inventa

Este é o país que a dor inventa. / Onde a luz é um punhal de mansidão. / E o povo que em silêncio se alimenta. / Do pão que amassa com a solidão. / Ó pátria de naufrágios e de lendas. / Onde o mar é o limite do desejo. / Abre as janelas, tira as tuas vendas. / E vê o sol no último bocejo. / Porque a vida é um fogo que se acende. / No peito de quem nunca se rende.

Sou um erro de Deus

Sou um erro de Deus. / Mas que erro divino / este de ser eu própria o meu destino. / Errei na conta dos dias e das horas. / Perdi-me em labirintos de auroras. / Busquei o que não tinha para dar. / E dei o que ninguém soube aceitar. / Sou um erro de cálculo da vida. / Uma estrada sem fim, mal decidida. / No entanto, neste erro que cometo. / Encontro o meu sentido mais completo. / Porque não há verdade que se meça. / Sem que antes um erro aconteça. / E se Deus errou quando me criou. / Foi para ver quão longe o erro voou.


Liberdade que és o meu tudo

Liberdade, que estás em mim, que em mim vives, que em mim cantas, que em mim choras, que em mim morres, que em mim surges, que em mim és. 

Liberdade que és a minha vida, a minha morte, a minha glória, a minha dor, a minha alegria, a minha esperança, a minha desilusão. 

Liberdade que és a minha solidão, a minha companhia, a minha força, a minha fraqueza, a minha coragem, o meu medo.  

Liberdade que és a minha verdade, a minha mentira, a minha justiça, a minha injustiça, a minha paz, a minha guerra. 

Liberdade que és a minha luz, a minha sombra, a minha alma, o meu corpo, o meu sangue, o meu pão. 

Liberdade que és o meu céu, a minha terra, o meu mar, o meu sol, a minha lua, as minhas estrelas. 

Liberdade que és o meu tudo, o meu nada, o meu sempre, o meu nunca, o meu sim, o meu não. 

Liberdade que és eu, que és tu, que és todos, que és nenhum, que és a vida, que és a morte, que és a eternidade.u.

O que torna este poema especial?


A Noite como Refúgio: Ao contrário de muitos poetas que temem as trevas, Natália saúda a noite como uma "mãe" e uma "deusa". É no escuro que ela consegue tirar as máscaras sociais e enfrentar o "castelo" que é o seu próprio interior.

O Destino: Ela fala do "vácuo de um destino que não é o meu", uma expressão poderosa sobre a pressão que a sociedade exerce para que sejamos algo que não queremos ser.

A Entrega: É um poema de rendição espiritual. Natália, que era uma mulher de luta constante durante o dia, revela aqui a sua vulnerabilidade e a sua busca por paz.

Este poema mostra a Natália Correia "filósofa", que via na natureza e no cosmos as respostas que a política e a lógica não conseguiam dar.