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Edição de botequim.pt    13 de Maio a 17 de Maio de 2026,  sujeita a alterações diárias, 


novo mais abaixo cartoons revelam fraquezas de Trump


"O fim da vida é fascinante!"


Evocações diversas em vários países de língua portuguesa assinalam os 120 anos do surgimento daquele que foi o português mais notável da segunda metade (Pessoa foi-o da primeira) do século XX.



Vão continuar, no entanto, a ser necessários muitos mais anos para que o seu pensamento, a sua modernidade, a sua vidência sejam compreendidos. Costuma, com efeito, demorar a entender os que, entre nós, surgem antecipando, puxando o futuro.

Professor e filósofo, ensaísta e novelista, poeta e profeta, orador e tradutor (fala 15 línguas), comunicador e investigador, George Agostinho Baptista da Silva, seu nome completo, nasce no Porto, cria-se na Barca d´Alva, doutora-se na Sorbonne.

Demitido do ensino oficial, a ditadura fá-lo exilar-se para o Brasil onde funda universidades e lança centros de estudos superiores. Apoiado "à bengala da dúvida metódica" (abandona  o cartesianismo da juventude), deixa-se fascinar pelo mundo mágico que ali se lhe revela.

Na década de 80 (Marcello Caetano autorizara-lhe, em 1969, o regresso) mobiliza com o fogo da palavra, o fascínio das ideias, o ineditismo da comunicabilidade (é a figura do velho sábio a emergir no nosso imaginário) milhares de jovens, constituindo as intervenções que lhes dirige um dos fenómenos mais notáveis registados então

«A cultura serve para mostrar aos outros que eles são melhores do que julgam ser», adverte. Utilizando metáforas muito sugestivas, a lembrar as de um Padre António Vieira, um Santo António, dominou com volúpia a grande oratória portuguesa conciliando contraditórios, racionalismo e esoterismo, renúncia e prazer, acção e reflexão, passado e futuro, tragédia e farsa, sucesso e fracasso, feminino e masculino, ter e ser; conciliando-os para os acrescentar, os harmonizar.



Em vários países, continentes, ideologias há quem afirme dever-lhe algo de decisivo, de transformador das suas vidas. "Talvez seja bom para nós não sabermos produzir mas sabermos utilizar aquilo que os outros produzem", provoca, "os chamados povos industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muitas pessoas. Espero que os portugueses produzam menos máquinas mas saibam mais desenvolver pessoas".

As incompreensões, as deturpações de que se torna alvo, ora por adoradores ora por detractores, leva-o a afiançar, «não é por fé que acredito no que defendo, é por matemática». O maior prazer do homem é o pensar, confidencia.

Pensar faz parte do processo de idealização e este do de realização, já que tudo quanto surge, no concreto, existiu primeiro no abstracto, ou seja, foi desejado antes de formalizado. «Estamos a chegar ao cimo de um monte e a ver, finalmente, que podemos fazer a revolução que liberte de vez os escravos que somos e em que andamos disfarçados. O que existe na Terra não pode continuar a pertencer a alguns, mas a todos, a todos os que nascem e morrem nela por igual, por inteiro ».

Irónico ("nunca tive ilusões, por isso nunca tive desilusões"), desprendido ("o que é que eu vou dizer da minha vida? que foi uma coisa meritória, estupenda? Várias pessoas poderão dizer isso porque estiveram do lado de receber, eu não, eu estive do lado de dar ou de entregar"), refugia-se com frequência, para se disponibilizar aos que o procuram, em si próprio.

"O fim da vida é fascinante, é como se fosse a correr, entusiasmado, para um ponto de completo desaparecimento com a ideia de que, nesse desaparecimento, a consciência continuará a existir".

Novo romance de Moita Flores já nas livrarias

Já está nas  livrarias o  último romance de Francisco Moita Flores SANGUE E SILÊNCIO NO POÇO DOS NEGROS. 

Diz Francisco: "Fico sempre emocionado e com uma dose de angústia quando vivo estes momentos em que me desnudo perante o público. Entrego-vos 16 meses de trabalho intenso. Labuta invisível, solitária, que preenche os meus dias e os meus sonos.É um livro policial. O segundo da minha já longa carreira. O primeiro foi o Mistério do Caso de Campolide. 

Agora, regressei ao Poço dos Negros onde o Quincas, contínuo da PIDE, foi assassinado em 1969. Os meus detetives Simão Rosmaninho e Arengas tomam conta do caso à procura do misterioso assassino e, como qualquer livro policial clássico, no último capítulo, ele revela-se a quem tiver interesse em lê-lo. 

Desejo-lhe boa caminhada. A partir de agora, já não é meu. É vosso. Gozem-no com o mesmo prazer que eu vivi ao escrevê-lo".

Crime de ódio sem castigo

O porno-hino 

dos alunos do ISEG 

O HINO PORNO QUE JOANA AMARAL DIAS REVELOU

É urgente dar vários passos atrás nas universidades e institutos portugueses, porque se cantam pornografias e porque se humilham jovens que deveriam ser o futuro da nação. Estamos perante crimes de ódio. Os alunos portugueses começam o seu percurso mergulhados numa cultura de agressividade e boçalidade. 

É incrível como ministros, secretários de Estado e políticos, ao longo dos últimos anos, não ouviram a letra deste hino - ou, se ouviram, calaram-se perante algo que envergonha gerações e o país inteiro.

Estamos perante crimes e parece que já esquecemos os jovens que morreram numa praia ( a 15 de dezembro de 2013, na Praia do Meco, em Alfarim) aliciados pelas ordens e palavras de uma praxe criminosa. 

A Câmara agiu bem ao impossibilitar a queima das fitas em Lisboa. Falta agora pôr um ponto final nestas celebrações boçais que humilham e destroem  a dignidade de quem está agora a começar a sua vida adulta. Façam bailes e leiam livros. jrr

ALGUNS DOS POLÍTICOS DO ISEG

Excerto do porno-hino dos alunos do ISEG


Câmara de Lisboa cancela queima das fitas 

Os estudantes foram surpreendidos pelo cancelamento, mas as razões não espantam, dada a crescente agressividade e pornografia nas festas e praxes de Lisboa. 

O espírito académico original foi sufocado por comportamentos de risco e humilhações que tornaram o licenciamento destes eventos inviável. Esta degradação ética e a violência simbólica forçaram as autoridades a agir contra o descontrolo absoluto. O cancelamento em 2026 surge como uma resposta  à falta de limites e à perda de dignidade institucional. É um sinal claro de que o civismo e a segurança não podem ser sacrificados em nome de uma diversão tóxica. 

Trump está a prejudicar Europa

Temos Ione! 

escutemos Sofia Pereira

A voz de Sofia Pereira ocupou o espaço do Bloco de Esquerda de outros tempos, quando Francisco Louçã se batia pelo seu lugar na Assembleia da República. E agora vive no bem-bom do Banco de Portugal e da sua quinta privativa em Caneças

Ouvir Sofia Pereira contrapor-se à Iniciativa Liberal de Mariana Leitão é como ouvir Ione Belarra em Espanha, clamando contra os 'Fundos Abutres'. 

Sobretudo quando se sabe, que a única experiência profissional de Mariana Leitão (após a licenciatura em Relações Internacionais) foi o trabalho administrativo na Puaço - um pau-mandado da Sonangol e, por extensão, um braço esticado do governo angolano.

A direita liberal e a extrema-direita reivindicam de forma repetida o legado do salazarismo. Até pedem "três Salazares" para o País. Mas omitem que, nesses tempos, o preço do pão era tabelado pelo Estado e os senhorios tinham as rendas congeladas. Na política, tal como na literatura, é importante pôr os pontos nos is. jrr

da página pessoal  de Mariana Leitão na Wikipedia.

"Natural de Lisboa, vive em Oeiras, onde foi autarca, com as duas filhas. É gestora, licenciada em Relações Internacionais e tem pós-graduações em International Management e em Data Science & Business Analytics. É também jogadora federada de bridge, tendo representado Portugal nos campeonatos da Europa de bridge de 2018 e 2022 e no campeonato do Mundo de bridge de 2022."

Filme de Raquel Freire 

ganha prémio da Amnistia

A amnistia internacional atribui prémio a filme de Raquel Freire, reconhecendo o impacto de "Onde a Terra Acaba" na defesa dos direitos humanos. A realizadora, conhecida pelo seu cinema combativo e pela denúncia de desigualdades sociais, vê assim distinguida uma obra que cruza a resistência política com a dignidade individual. Este galardão reforça o papel do cinema de autor português como uma ferramenta essencial de intervenção e consciencialização global.


Margarida Davim: este filme é uma luz para tempos sombrios


Foi um prazer enorme fazer parte do júri da Amnistia Internacional, com a @anabasilio_99 e o @cristovaocamposoficial no @indielisboa Mas o melhor foi mesmo ter participado na escolha do prémio ao filme @mulheres_de_abril_filme da Raquel Freire. 

Uma obra absolutamente extraordinária, não só porque é um documento histórico fundamental, mas sobretudo porque tem uma mensagem para o presente e para o futuro de luta com alegria e amor. 

O exemplo destas mulheres é uma luz para tempos sombrios, não porque elas sejam heroínas, mas precisamente porque são mulheres comuns impelidas a fazer coisas extraordinárias para travar o fascismo.

Jornalistas pedem afastamento de membro do gabinete de Leitão Amaro 

SJ exige afastamento de membro do gabinete de Leitão Amaro após insultos a jornalistas

Após a reunião de 29 de abril no Ministério da Presidência, um membro do gabinete do ministro António Leitão Amaro dirigiu-se aos representantes dos trabalhadores da Lusa em tom insultuoso e agressivo. O Sindicato dos Jornalistas (SJ) exige o afastamento deste elemento de futuras reuniões.

O SJ considera o incidente uma tentativa inaceitável de condicionamento à liberdade de imprensa, agravada pelo contexto de contestação dos trabalhadores aos novos estatutos da Lusa, que temem o aumento da ingerência política. 

Para o sindicato, estes episódios recentes de pressão sobre a agência revelam sinais preocupantes contra os quais é urgente salvaguardar a independência editorial e o direito dos cidadãos a uma informação livre e isenta.

OS DIAS PORTUGUESES DE YOURCENAR


Há 80 anos Marguerite Yourcenar esteve pela primeira vez em Portugal que percorreu atentamente, fascinando-se com a sua cultura popular e, sobretudo, com a sua arquitectura medieval. Considerava Sagres (aonde ia incógnita) um dos lugares sagrados da Terra

Venerada no nosso País, esteve em Cascais a convite da poetisa Fernanda de Castro que dirigia, na zona, o Solar D. Carlos, pequeno hotel de charme onde, debaixo de um toldo protector, iniciou a escrita de Obra ao Negro, publicada em 1968.

Maria Lamas, que a conheceu quando esteve exilada em Paris, popularizou-a na nossa língua ao traduzir-lhe o romance Memórias de Adriano - obra-prima da literatura mundial sobre a trágica paixão de Adriano por Antinoo.

Helena Vaz da Silva, cuja casa oitocentista de Lisboa ela frequentou no início da década de oitenta, foi encarregada por si de controlar as versões portuguesas do resto da sua obra.

"Eu não conheci, reconheci Marguerite Yourcenar quando a vi ", evocava Helena Vaz da Silva. "Ela . chegou - monumento de pedra mas de renda por dentro - a Lisboa prestando-se a todos os rituais de ocasião. Deixou-se entrevistar, deixou-se venerar, deixou-se jantar. Até que discretamente fez saber que tantas honrarias a faziam padecer. 

Que gostava de comer pão torrado e falar de pássaros. Por isso se lhe fez, naquele último dia de estadia entre nós, um


piquenique informal entre livros, retratos e histórias de família. E ela não o esqueceu. Sentiu, eu senti, que aquilo era um reencontro de almas antigas. Ela sabia muito disso, eu menos mas acredito em quem sabe. Talvez por isso passei a receber dos editores das suas obras traduções para rever, por sua indicação, sem que ela jamais me tivesse pedido expressamente ". 

Na última deslocação a Lisboa, participou num colóquio organizado pela revista Raiz e Utopia, na Fundação Gulbenkian, constituindo a sua presença (apesar da relutância em expor-se à comunicação social) um dos acontecimentos culturais da época.

Antes de partir deslocou-se a casa de Amália, na rua de São Bento, de quem era apaixonada admiradora. "Ela fazia parte dos autores contemporâneos que escreviam por sabedoria, uma qualidade que era atingida por exigência de uma cultura muito própria", anotará António Alçada Baptista".

Perspicaz, Yourcenar alertou o auditório que acorreu a ouvi-la ser "perigoso deter com exclusividade uma verdade ou um deus, ou uma ausência de Deus. Por isso devemos pensar amigavelmente na nossa morte. Devemos amar e respeitar as pessoas que preparam a sua morte".

Lídia Jorge: Os Memoráveis é Ópera no Teatro S. Carlos


Baseada no romance Os Memoráveis, de Lídia Jorge, a ópera Por todos nós, em estreia absoluta, revisita os protagonistas e os mitos da Revolução de Abril de 1974 a partir do olhar de três jovens que, trinta anos depois, procuram entender o que foram aqueles tempos e a repercussão que tiveram para a sociedade em que vivem.

Cartoons revelam fraquezas de Trump 

 A grandeza do pequeno


Sobre a síntese, a escala e a concentração do sentido

. Emília Dias da Costa

Há formas visuais cuja pequena escala é apenas aparente. O pequeno, em cultura visual, não coincide necessariamente com o simples, o menor ou o secundário; pode ser, pelo contrário, o lugar onde a complexidade mais se concentra. 

O selo postal é um exemplo nesse sentido. Cabe na ponta dos dedos, ocupa poucos centímetros, mas exige uma densidade de decisão que muitos formatos maiores não suportam. 

Num espaço mínimo, tem de fazer coexistir imagem, inscrição, valor, legibilidade, contraste, memória e reconhecimento. Não dispõe do conforto da expansão; trabalha sob a disciplina da síntese.

O primeiro selo postal do mundo. Começou a circular em Inglaterra a 6 de maio de 1840 e o primeiro selo português, 1853, com o perfil de D. Maria II.


Desde a sua origem moderna, essa exigência foi evidente. OPenny Black, emitido em 1840 no Reino Unido, é geralmente reconhecido como o primeiro selo postal adesivo. Em Portugal, o primeiro selo entrou em circulação a 1 de Julho de 1853, com o perfil de D. Maria II e desenho atribuído a D. Fernando de Saxe-Coburgo. 

Desde cedo, portanto, o selo não foi apenas prova de porte pago. Numa superfície mínima, concentrou representação pública, identidade e imaginação política. O que nele cabia nunca foi apenas um valor; foi também uma imagem de poder, de pertença e de memória

Selo português denteado, 1880, com o perfil de D. Luis I e Selo com o perfil de D. Manuel II, emitido em 1 de janeiro de 1910. Faz parte da série utilizada com a sobrecarga "REPÚBLICA", após 5 de outubro de 1910


É talvez por isso que o selo continua a interessar tanto ao olhar da cultura visual. Nas emissões contemporâneas dos CTT, muitos selos mantêm formatos próximos dos 40 x 30,6 mm ou dos 30,6 x 40 mm. Esta redução material não diminui a tarefa; intensifica-a. O que sobra perturba; o que falta em excesso compromete. Pensar um selo é aprender que comunicar muito em pouco espaço não depende da acumulação, mas da exatidão

Selo da série comemorativa do primeiro centenário do selo postal em Portugal. Representa a Rainha D. Maria II, 1953 e Selos comemorativos do nascimento de D. Maria II, 2019


É talvez por isso que o selo continua a interessar tanto ao olhar da cultura visual. Nas emissões contemporâneas dos CTT, muitos selos mantêm formatos próximos dos 40 x 30,6 mm ou dos 30,6 x 40 mm. Esta redução material não diminui a tarefa; intensifica-a. 

O que sobra perturba; o que falta em excesso compromete. Pensar um selo é aprender que comunicar muito em pouco espaço não depende da acumulação, mas da exatidão.


Há, nesta economia de meios, uma lição que ultrapassa a filatelia. O pequeno não é o lugar do menos; é, muitas vezes, o lugar do essencial. Reduzir não é empobrecer, mas distinguir. A síntese, quando rigorosa, não retira densidade ao sentido: retira-lhe dispersão. O selo demonstra isso com particular nitidez.

Obriga a selecionar, a ordenar, a depurar, a decidir o que pode permanecer e o que deve desaparecer para que a forma se torne legível. Nesse gesto, aproxima-se de outras operações centrais do design: o pictograma, a marca, a vinheta, oex-líbris, a pequena legenda que, em poucas palavras, tem de abrir uma leitura inteira.

Selo da série "Rostos portugueses na ONU", 2022, resultado de um concurso dirigido aos alunos de todos os anos de escolaridade de Portugal e das escolas portuguesas no estrangeiro e Selo da Série "Caretos de Podence", 2024


Material pedagógico disponibilizado pelo Smithsonian National Postal Museum formula esta questão de modo particularmente claro ao lembrar que desenhar um selo é muito diferente de desenhar um cartaz ou uma obra de grande escala. 

A diferença não é apenas dimensional; é estrutural. O pequeno exige outro regime de pensamento visual. Exige precisão, renúncia, disciplina compositiva e inteligência hierárquica. Em formatos amplos, o erro pode dispersar-se; no pequeno, torna-se imediatamente visível. Por isso, trabalhar em escala reduzida é, tantas vezes, uma prova de maturidade formal.

Selos comemorativos dos150 Anos do Nascimento de Calouste Gulbenkian, 2019. Em colaboração com os serviços de Correio da Arménia


Mas o selo não é apenas um exercício técnico de condensação. É também um pequeno espaço público. O National Print Museum, em Dublin, dedicou-lhe recentemente a exposição Miniature Masterpieces: 100 Years of Irish Stampsmostrando como estes objetos mínimos participaram na construção da identidade cultural irlandesa ao longo de um século. 

A expressão é feliz: obra em miniatura. Não porque o selo seja diminuto apenas no tamanho, mas porque transporta, em escala reduzida, uma densidade histórica, cultural, simbólica e gráfica que excede largamente a sua dimensão material.

Numa época marcada pela inflação das imagens, pela visibilidade contínua e pela pressão do impacto imediato, o selo recorda uma verdade muitas vezes esquecida: a força visual não depende da escala física. 

Depende da capacidade de organizar o olhar, de fixar um tema, de tornar memorável uma forma. É possível que um pequeno retângulo de papel contenha um país, uma data, uma paisagem, uma figura histórica ou uma visão cultural inteira. Não por grandiloquência, mas por concentração. Não por excesso, mas por depuração.

Talvez seja essa a verdadeira importância do pequeno na cultura visual: mostrar que a grandeza nem sempre se mede em dimensão, mas em intensidade de pensamento. O selo permanece, por isso, como uma das lições mais rigorosas do design. Ali, onde quase nada cabe, tem de caber o essencial. E é precisamente nessa exigência que o pequeno, por vezes, se torna imenso.

Robots substituem filhos...

A foto de Paula Hornickel é um sério alerta aos países europeus e conduz a uma realidade chocante: os filhos estão a abandonar os pais em lares e muitas vezes deixando-os até em hospitais.

A realidade dos idosos institucionalizados em Portugal em 2026 é marcada por uma pressão económica sem precedentes, 

As habitações são menores e aumentou o tempo dos percursos dos filhos para o trabalho. O turismo e a especulação imobiliária consentida lançaram o caos em todas as cidades de Portugal, arruinando a vida de centenas de milhar de portugueses.

Os idosos estão a ser encaixotados em lares. Os números crescem todos os anos. O setor das lares para séniores enfrenta um cenário de lotação esgotada e custos crescentes. 

Estima-se que existam mais de 105.000 camas distribuídas por cerca de 2.700 residências sénior em Portugal. Dois em cada três lares têm a sua lotação completamente esgotada.

Perante os 2,5 milhões de residentes com mais de 65 anos, a cobertura de camas é de apenas 4%, subindo para 8,7% se considerarmos apenas a população com mais de 75 anos.

Retratos de Paula Hornickel

Mais de 1500 vítimas em 8 meses

Os dados sobre violência contra idosos são alarmantes, embora muitos casos em contexto institucional permaneçam sub-reportados.

Entre janeiro e agosto de 2025, a APAV apoiou 1.557 idosos vítimas de crime e violência, o que resultou no registo de 2.861 crimes. A violência doméstica representa 81% dos casos reportados à APAV, mas os crimes de negligência e maus-tratos em lares são frequentemente denunciados através de inspeções da Segurança Social e autoridades policiais.

Perfil do Agressor: No contexto geral, os agressores são maioritariamente familiares diretos (filhos e filhas representam 33,5% dos casos), mas em contexto institucional, a negligência é a forma mais comum de "maus-tratos passivos".



Paula Hornickel, fotógrafa alemã (1998), vive entre Berlim e Dortmund, foi uma das premiadas no World Press Photo. 



Com formação em Comunicação Visual pela Universidade das Artes de Berlim e mestranda em Estudos Fotográficos na FH Dortmund, a autora consolidou o seu percurso com um intercâmbio no Pratt Institute, em Nova Iorque, durante o ano de 2023. Paula Hornickel especializou-se em retrato.

Atualmente, desenvolve atividade como profissional independente, conciliando trabalhos por encomenda com a criação de projetos autorais. A sua produção artística foca-se na fotografia de retrato e documental, explorando temas ligados à cultura pop, dinâmicas sociais e visões de futuro. 

O reconhecimento internacional no World Press Photo destaca a relevância técnica e temática do seu trabalho no panorama da fotografia contemporânea. +49 176 47362555, e-mail: hello@paulahornickel.com, instagram: @paulahornickel

Idosos pagam 1900 euros por mês

Ameaça Invisível: A existência de lares clandestinos continua a ser o maior ponto cego do sistema. Por não estarem sujeitos a vistorias regulares da Segurança Social, estas unidades são o foco principal de situações graves de insalubridade e omissão de cuidados médicos.

Custo Médio: Em 2026, um quarto individual numa residência sénior privada custa, em média, 1.921 euros por mês, um valor incomportável para a maioria das pensões médias portuguesas, o que empurra muitas famílias para soluções clandestinas de menor custo.

.A bailarina  

de Auschwit dança agora nos céus


Já não está entre nós a bailarina de  Auschwitz: Edith Eva Eger subiu aos céus aos 99 anos. Edith foi uma psicóloga de renome mundial, conferencista e autora, amplamente conhecida por ser uma sobrevivente do Holocausto. A sua história é uma das mais poderosas demonstrações de resiliência e cura do século XXI.

Dançar para Mengele

Nascida na Hungria, Edith era uma jovem bailarina e ginasta quando, em 1944, foi enviada para o campo de concentração de Auschwitz com a sua família. Os seus pais foram assassinados na câmara de gás logo à chegada. Edith sobreviveu a condições inimagináveis, incluindo o momento em que foi forçada a dançar para Josef Mengele (o "Anjo da Morte") para salvar a sua própria vida.



Após a guerra, mudou-se para os Estados Unidos, onde reconstruiu a sua vida. Já adulta e mãe, decidiu estudar psicologia, doutorando-se na área. Tornou-se discípula e amiga próxima de Viktor Frankl (autor de O Homem em Busca de Sentido), que a ajudou a compreender que, embora não pudesse mudar o passado, podia escolher como reagir a ele.

Edith tornou-se mundialmente famosa com a publicação das suas memórias:

"A Bailarina de Auschwitz" (The Choice): Um best-seller onde detalha a sua experiência na guerra e o seu processo de cura. O tema central é que a pior prisão não foi o campo de concentração, mas sim a "prisão da mente" que construímos para nós mesmos.

"A Libertação" (The Gift): Um guia prático onde partilha ferramentas para lidar com o trauma, o luto e o medo.

A Dra. Eger era carinhosamente chamada de "Anne Frank que sobreviveu". O seu trabalho focou-se em ajudar as pessoas a saírem do papel de vítimas e a encontrarem a liberdade através do perdão (especialmente o perdão a si mesmas) e da escolha consciente da alegria.

"Não podemos escolher o que nos acontece, mas podemos escolher como viver depois do trauma." — Edith Eger

Maio, Yanis &  a maldade!

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Quero ser famoso e rico e assim menosprezo o dia 1 de Maio.

O capitalismo provou ser o único sistema possível. E Yanis Varoufakis decidiu explicar o porquê em livro à sua filha. 

Conta-lhe Yanis: o capitalismo é eterno. 

Mas alerta, ele mantém as 3 sementes do seu abismo: o lucro, a redução do custo das matérias-primas e o esmagamento constante do valor do trabalho. 

A Inteligência Artificial foi agora adicionada a esta preocupante equação.

Em resumo, como será o futuro? Será o aumento exponencial dos lucros das grandes empresas (a Galp teve 1 400 milhões de lucro em 2025) e um desemprego galopante. Mas sem consumidores, não há capitalismo!

Como parar este suicídio colectivo anunciado? 

Fomentando o emprego cultural, controlando à rédea curta os políticos e matando os paraísos fiscais e as caves bancários com os seus cofres privados . 

Haja coragem para podermos sobreviver.

Viva o 1 de Maio, porque é a celebração da comunhão do interesse social. E ponha-se esta ministra do Trabalho no olho-da-rua e a ler os livros da irmã: Eu Sei Lá! para que o capitalismo seja próspero para... todos. jrr

Carol Guzy 

já ganhou 4 Pulitzers



A vencedora da World Press Photo of the Year de 2026 é a fotógrafa norte-americana Carol Guzy, com a imagem intitulada Separated By ICE, captada a 26 de agosto de 2025 no edifício federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque. A fotografia regista o momento angustiante em que Luis, um migrante equatoriano, é detido por agentes da imigração após uma audiência em tribunal, enquanto as suas filhas se agarram a ele desesperadas. Entre os vencedores e finalistas deste ano, que contou com mais de 57 mil fotografias de 141 países, destacam-se também Saber Nuraldin, que captou palestinianos a cercarem um camião de ajuda em Gaza, e Victor J. Blue, que retratou as mulheres indígenas Maya Achi na Guatemala após vencerem uma batalha legal de 40 anos. O prémio reforça a importância do testemunho visual em zonas onde a história acontece, muitas vezes, sem outras testemunhas, premiando imagens que denunciam políticas sistémicas e celebram a resiliência humana.

ICE ganha World Press 2026

Carol Guzy é uma das fotojornalistas mais respeitadas do mundo, sendo a primeira profissional a conquistar quatro Prémios Pulitzer. Antiga enfermeira, transpôs essa sensibilidade humanitária para a lente, focando-se no sofrimento e na resiliência em cenários de crise ao serviço do The Miami Herald e do The Washington PostOs seus Pulitzers, atribuídos entre 1986 e 2011, documentam eventos históricos como a erupção do vulcão Nevado del Ruiz, a crise no Kosovo e o sismo devastador no Haiti. Atualmente a trabalhar para a ZUMA Press, Carol continua a ser uma voz visual indispensável na denúncia de injustiças sociais.

Em 2026, o seu legado foi novamente consagrado ao vencer o World Press Photo of the Year com a imagem Separated By ICE. A fotografia regista a detenção de um pai migrante perante o desespero das filhas em Nova Iorque, servindo de testemunho cru sobre a dureza das políticas de imigração. A sua carreira é marcada por uma empatia profunda, provando que o fotojornalismo é uma ferramenta vital para dar visibilidade aos esquecidos da história.

Caso Rui Pinto

Tribunal chumba Ministério Público

O hacker Rui Pinto foi absolvido por unanimidade dos 241 crimes de que era acusado. O tribunal considerou a acusação do Ministério Público inválida e inconstitucional, declarando que foram violadas as garantias de defesa do arguido e exercida uma ação penal intolerável perante a lei. 

Os crimes imputados a Rui Pinto dividiam-se nas seguintes categorias:

Acesso indevido: Entrada não autorizada em sistemas informáticos de diversas entidades, incluindo clubes de futebol e órgãos judiciais. 

Violação de correspondência: Acesso e divulgação de mensagens de correio eletrónico privadas.

Sabotagem informática: Práticas que visavam interferir ou impedir o funcionamento normal de sistemas de dados.

A decisão judicial concluiu que os métodos utilizados pela acusação para obter prova comprometeram o Estado de Direito, resultando na nulidade do processo e na consequente absolvição total do arguido.

A maior atração do próximo leilão de artes em Lisboa é uma obra de Antoni Tàpies que traz consigo o misticismo da sua passagem por Zurique. Intitulado "Mão". 

Este trabalho foi concebido em março de 1971 através de uma técnica de guache e lápis sobre papel colado em tela, refletindo o auge do informalismo e a exploração tátil do autor catalão. A peça carrega uma história singular, apresentando uma etiqueta da Galeria Nasoni e uma dedicatória autógrafa feita na Suíça, reforçando o seu valor histórico. 

O quadro irá a leilão na Cabral Moncada Leilões em maio de 2026, inserido num contexto de forte valorização da arte contemporânea. Com uma estimativa entre os €15.000 e os €25.000, a obra representa uma oportunidade rara para colecionadores da era de setenta, onde o artista fundia o material e o espiritual. 

É um testemunho da capacidade de Tàpies em elevar gestos simples a símbolos universais de grande profundidade estética. António Brás

Cartoonistas 'a bombardear' Trump

O Lobo Mau

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Quincas era contínuo da PIDE


JÁ CÁ CANTA! Faltam quinze dias para estar nas vossas mãos. Vai levar-vos até 1969, o ano da Desfolhada, de Simone de Oliveira, da chegada à Lua, o ano em que um assassino misterioso matou o Quincas. 

O Quincas era contínuo da PIDE (polícia política do regime) e mestre a jogar cartas. Os detetives Simão Rosmaninho e Arengas vão dar caça ao matador e, pelo meio, são confrontados com os grandes acontecimentos daquele ano. Um policial que é um livro de aventuras e de reencontro com a nossa memória. Darei notícias quando sair para o grande público. Hoje, fica comigo. É tempo de embalar este novo filho.

V. cita Hitler: 

Fomos apunhalados pelas costas

Vamos banalizando. Até porque se presta pouca atenção à história. Hoje o líder da extrema-direita disse isto várias vezes. Tal como Hitler o dizia, no caso para propagar o mito de que o exército alemão não fora derrotado em 1918 no campo de batalha, mas traído internamente, nomeadamente por judeus e socialistas. Teriam sido então "apunhalados pelas costas". Lenda, claro: que Alemanha perdeu e esta foi a narrativa da vitimizacao usada para a ascensão do nazismo. Prestem atenção. É com "isto" que a AD se entende. 25 de abril sempre!

Workers of world

300.000 pessoas nas ruas de Roma, contra o genocídio na Palestina e a guerra no Irã. No meio da cidade, na rodovia da cidade. Jovens e velhos juntos, animados, barulhentos e determinados.Um protesto também contra o governo Meloni e todos os governos que estão saqueando o mundo com guerras para impor os interesses do capital global.Obrigada Roma, te amo muito

Educação. Já saiu um número especial da Workers of the World sobre educação, que coordenei, tem artigos de Roberto Leher Roberto Valdés Puentes, entre outros. Esta revista académica é editada pela Associação Internacional de estudos das greves e dos conflitos sociais. A edição é do João Carlos. E a tradução da entrevista que realizámos a Carlos Fernandez Liria em inglês pelo António Simões Do Paço.


PEDRO SÁNCHEZ, PRIMEIRO-MINISTRO DE ESPANHAA Europa e o Mundo ficam a conhecer melhor Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha. Além do seu rotundo "não à guerra", já ele havia reconhecido o Estado da Palestina, clamara contra o golpe na Venezuela, erguera a voz contra a invasão russa da Ucrânia, recusara contribuir com 5% do orçamento espanhol para a Nato, reagira ao compadrio da América com Israel nesta guerra do Irão – e ei-lo agora a enfrentar o imperador Trump na questão dos acordos comerciais celebrados entre os dois países. 

Devia a Europa saudar a ideologia, a firmeza e as convicções deste político que nos tange a partir de Espanha contra a fralda suja do mundo. E devia este triste governo português abrir os olhos, usar da razão e da consciência por esta voz que nos apela a uma unidade ibérica que infelizmente não existe, nunca existiu e não se sabe porquê.

O melhor que sei fazer.. é sonhar

Qualquer coisa pergunta-me qualquer coisa uma tolice um mistério indecifrável simplesmente para que eu saiba que queres ainda saber para que mesmo sem te responder saibas o que te quero dizer

"Dói-te alguma coisa?-Dói-me a vida, doutor.(...) -E o que fazes quando te assaltam essas dores?-O melhor que sei fazer, excelência.-E o que é?-É sonhar."

humor ... dramático

A nova VISÃO

Os jornalistas da Visão planeiam um negócio "prudente e realista" para os próximos dez anos. A estratégia foca-se na viabilidade económica, evitando riscos financeiros desnecessários. 


Menina carrega irmã em busca de auxilio

O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. As crianças estão a morrer de fome em casa enquanto os bombardeamentos incessantes reduzem a pó os acordos inúteis assinados em gabinetes distantes. 

Gaza prisão a céu aberto 


China já tem estação espacial habitada

Natália Correia 


a poesia é uma viagem

A Defesa do Poeta

"Digo-vos que a poesia é uma viagem ao fim da noite de quem a escreve. Uma coragem de se ser apenas a voz do que no homem é mais leve.

Digo-vos que os poetas são as antenas do mundo que se quer e não se atreve. São os que têm as mãos cheias de penas e os pés na lama que o tempo não deve.

Não me peçam palavras de ordem. A minha ordem é a desordem do coração. Não me peçam que as ideias concordem com a cinza fria da vossa razão.

A poesia é a minha única pátria. A liberdade é o meu único chão."

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