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MAIS ABAIXO: Lagarde do FMI - os europeus estão a financiar empresas americanas de IA
HORRORES RECENTES: (parte final desta página)
Suécia esterelizou 63 mil mulheres para terem direito à habitação social
Canadá reconhece ter morto 6 mil crianças indígenas
Dinamarca forçou a esterelização de mulheres esquimós
Espanha vai julgar milhares de casos de bebés roubados por franquistas
EUA meteram milhares de japoneses-americanos em campos de concentração-
Edição de botequim.pt 14 a 21 de Setembro de 2026
Classe média
Não se pode exterminá-la?
A democracia pressupõe uma classe média actuante, uma imprensa livre, uma intervenção cultural/social efectiva, para uma política visando o bem estar dos povos, não o de elites, de lóbis, de partidos, ao serviço das populações não dos grupos dominantes.
Ou seja, o contrário do que sucede hoje em Portugal, detentor de uma democracia manhosa (porque videirinha) e egoista (porque subserviente com os poderosos e despótica com os desprotegidos), assente numa classe média fingida, tingida - idas (classe média e democracia) por um fisco obsceno, a primeira, e por uma corrupão insuportável, a segunda.

O centrão, que há mais de meio século nos governa, preocupa-se não em distribuir riqueza, objecto da democracia (socialista, cristã, liberal, etc.), mas em concentrar privilégios nas suas cortes, sob máscaras assistencialistas e moralistas.
Tem-no feito a dois níveis: açambarcando verbas da Comunidade Europeia e confiscando rendimentos à classe média, a única que não pode defender-se dos assaltos de um fisco em paranóia.
Outras vias, mais penumbreas, mais dúplices são engendradas ante a perturbação de uma justiça, de uma comunicação social, de uma cultura emparedadas por legislações, estrangulamentos, e velhacarias cúmplices.
Mais de 40 por cento equivalente ao Produto Interno Bruto encontra-se escondido em paraísos fiscais estrangeiros; milhões de euros jazem congelados em bancos, multinacionais, pés de meia, etc., impedindo que os portugueses respirem, que o País se desenvolva, que a esperança sorria.
As contas certas (a dívida externa não foi contraída pelo povo, mas por quem o domina – que não presta contas dela) são mais importantes do que a sobrevivência, a dignidade das pessoas. Vejam-se as reacções de certos economistas, comentadores, influenciadores (palavra mais ridícula!) a criticaram as côdeas que os governos atiram à plebe, e a defesa que fazem dos lucros (escandalosos) da banca, dos supermercados, das gasolineiras, das seguradoras, etc., etc., ante o costumado silêncio dos instalados – o costume.
Deixar gente para trás, culpabilizar as vítimas por o serem, aterrorizar os idosos para privatizar a segurança social, empandeirar os jovens para fora apelidando-os de serem a geração melhor preparada de sempre (que cinismo!), casquinar em privado que o povo aguenta tudo, tudo são comportamentos assumidos alto, sem pudor, sem prudência – sem inteligência.
É um insulto ouvir, por exemplo, certos responsáveis repreender-nos por não pouparmos mais, por não andarmos menos de carro, não irmos menos a restaurantes, não viajarmos menos, isto dirigido a grupos cujos ordenados não chegam ao fim do mês, que comem uma única refeição por dia, vasculham envergonhados os caixotes do lixo, não tomam os remédios prescritos, que sobrevivem como não há memória nas últimas décadas, é um insulto inominável.
A baixa do IVA na alimentação – medida fundamental para a saúde pública - é repreendida por políticos partidários, por peritos económicos por desregular as receitas do Estado.
O dar cabo da classe média provoca o extremar de posições, isto é, despedaça a democracia, a liberdade, a criatividade, o humanismo, a esperança, factura que começamos a pagar assustadoramente, fractura que estamos a sofrer angustiadamente.
Na sua acre lucidez, Vasco Pulido Valente repetia-nos, Portugal tem uma democracia mas não tem democratas! Fernando Dacosta
Onde estão os resultados dos mega-processos?
Pingo Doce / Jerónimo Martins
119 milhões
de lucro no 1º trimestre deste ano
Charlie Chaplin:
o humor é eterno
12 minutos de palmas
O maior aplauso de sempre de Hollywood
Chaplin de proscrito nos EUA a Sir na Grã-Bretanha
Em setembro de 1952, enquanto viajava de navio para Londres para a estreia do filme Luzes da Ribalta, Charlie Chaplin foi informado de que o governo dos Estados Unidos havia revogado a sua autorização de reentrada no país. Alvo constante do FBI e do macartismo pela sua postura pacifista, críticas sociais explícitas e suspeitas infundadas de simpatias comunistas, Chaplin optou por cortar os laços com os EUA em vez de se submeter a interrogatórios políticos.
Refúgio em Corsier-sur-Vevey: Em janeiro de 1953, instalou-se com a esposa, Oona O'Neill, e os filhos na propriedade Manoir de Ban, na Suíça, onde viveu com tranquilidade as últimas décadas da sua vida.
Sátira Política: Em Inglaterra, realizou Um Rei em Nova Iorque (1957), uma sátira mordaz à paranóia anticomunista e ao consumismo norte-americano. O seu último filme como realizador foi A Condessa de Hong Kong (1967), com Marlon Brando e Sophia Loren.
O Regresso Triunfal e os Últimos Anos
Reconciliação com Hollywood (1972): Após duas décadas de afastamento, regressou aos Estados Unidos apenas para receber um Óscar Honorário pelo conjunto da sua obra, sendo aplaudido de pé durante 12 minutos — a ovação mais longa da história da Academia.
Reconhecimento Real (1975): Foi condecorado Cavaleiro da Ordem do Império Britânico (Sir Charlie Chaplin) pela Rainha Isabel II. Morte (1977): Faleceu no dia de Natal de 1977, aos 88 anos, na sua casa na Suíça.
O caminho até ao Exílio
Para contextualizar a perseguição política que culminou na sua expulsão, a trajectória anterior de Chaplin dividiu-se em três grandes fases:
A Infância em Londres (1889–1913): Nascido na extrema pobreza dos subúrbios londrinos, passou por orfanatos e casas de trabalho devido à ausência do pai e aos internamentos psiquiátricos da mãe. Estreou-se nos palcos do music hall ainda criança, onde desenvolveu o seu domínio de mímica e comédia física.

A Criação do Vagabundo e o Império em Hollywood (1914–1939): Chegou aos EUA com a companhia de Fred Karno e criou a personagem Charlot (The Tramp). Tornou-se rapidamente a maior estrela mundial do cinema mudo e um dos fundadores do estúdio independente United Artists (1919), assinando obras-primas como O Garoto (1921), A Quimera do Ouro (1925), Luzes da Cidade (1931) e Tempos Modernos (1936).
Conflitos Políticos e O Grande Ditador (1940–1951): Em 1940, lançou O Grande Ditador, ridicularizando Adolf Hitler e o fascismo quando os EUA ainda mantinham neutralidade. O discurso humanista final da fita, somado às suas posições pró-paz durante a Segunda Guerra Mundial e à comédia negra O Barba Azul (1947), colocou-o definitivamente sob a vigilância das autoridades norte-americanas até à expulsão de 1952.
O Grande Ditador assusta
governo americano
Conflitos Políticos e O Grande Ditador (1940): Em 1940, lançou O Grande Ditador, ridicularizando Adolf Hitler e o fascismo quando os EUA ainda mantinham neutralidade. O discurso humanista final da fita, somado às suas posições pró-paz durante a Segunda Guerra Mundial e à comédia negra O Barba Azul (1947), colocou-o definitivamente sob a vigilância das autoridades norte-americanas até à expulsão de 1952.
O polémico casamento de Chaplin
Luzes na cidade
Lançado em 1931, em plena ascensão do cinema sonoro, o filme desafiou a indústria ao manter a estética quase totalmente muda.
Chaplin compôs a banda sonora, provando a força da pantomima. A narrativa equilibra humor refinado e forte teor dramático. Destacam-se cenas cómicas como a hilariante luta de boxe e a amizade instável com um excêntrico milionário ébrio.
Ao mesmo tempo, aborda temas sérios de sacrifício e empatia social. No comovente desfecho, a florista curada toca a mão do benfeitor, descobrindo que o seu herói é afinal um humilde vagabundo. A cena permanece como uma das mais célebres da sétima arte.
AMÁLIA
"A seriedade é fundamental
para se ter prestígio"
"Não sou tão má nem tão boazinha como dizem. Às vezes parece que não dou pelo que acontece, que pareço seca, ausente. É uma defesa, a defesa que me resta. Diz-se que as pessoas vulgares falam, as sábias ouvem, as tolas discutem. Eu não discuto.
("ESPÓLIO" Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa a Fernando Dacosta)
"Os portugueses são uma mistura fabulosa de tudo o que existe. Por isso o nosso país podia servir de barreira ao, por exemplo, anti-arabismo que está a crescer na Europa e no Ocidente. Se não for feito nada nesse sentido vão dar-se tragédias terríveis"

"Os portugueses são uma mistura fabulosa de tudo o que existe. Por isso o nosso país podia servir de barreira ao, por exemplo, anti-arabismo que está a crescer na Europa e no Ocidente. Se não for feito nada nesse sentido vão dar-se tragédias terríveis".
«Quem tem consciência não pode ser feliz. Sou bastante inquieta e talvez por isso muito desprendida. Tanto durmo num hotel de luxo como numa manta no chão. "Há por vezes grande doçura na nossa tristeza. O povo diz que chorar alivia. A nossa tristeza é um embalo contra a crispação da vida"
"O fado tornou-se-me uma espécie de sinfonia feita de incomensurável mistura de elementos. Cantá-lo é partilhar a minha vida com os outros, é deixar fluir um saber que não me pertence, libertar algo que me ultrapassa. As coisas não são só o que aparentam, têm uma carga que vem do fundo dos tempos.
A vida actual conduz à fragmentação, à aniquilação do indivíduo. Precisamos de um retorno a nós próprios para nos podermos orientar, para não sermos devorados.
Cada pessoa necessita de descobrir os seus impulsos e segui-los. Essa urgência surgiu sempre em mim inesperadamente, não programada.
"Quando não aguento a cidade, a vida nela, rumo ao sul, á planura quente do Brejão. A energia do sol, o odor da terra, a fragância do oceano renascem-me."Cada pessoa necessita de descobrir os seus impulsos e segui-los. Essa urgência surgiu sempre em mim inesperadamente, não programada.
"O ter disponibilidade para mim própria foi a coisa mais importante que consegui. Eu sempre quis ser aquilo que sou, não me posso queixar, desfruto de êxito artístico, económico, afectivo. A minha vida profissional não podia ser melhor. Na minha concepção das pessoas e do mundo, a qualidade é uma conquista superior.
"Procurei sempre palavras e pessoas que tivessem peso para mim, daí a importância que dei aos grandes criadores. A minha inquietação é feita do que eu sofro nos outros, do que eu sofro
dos outros. As coisas que que exigem reflexão são as que menos tocam as massas, é preciso, por isso, doseá-las.
"Tudo tem defeitos e qualidades. Viajei pelo mundo, cantei em quase todos os países, a minha vida tem sido assim, e cheguei à conclusão de que é tudo igual, só mudam os cenários, as comidas, as línguas, no resto, nas roupas, nos gostos, nos sentimentos, nos medos, nas traições é tudo idêntico".
"Não consigo avalizar com o meu nome e o meu rosto coisas que desconheço. Acho que as figuras públicas deviam ser prudentes em relação a isso, embora reconheça que é uma tarefa bem paga e que as dificuldades nos meios artísticos são imensas."Custa-me ver pessoas que eu admiro a propagandear produtos duvidosos. A seriedade é fundamental para se ter prestígio.
"Se um dia perder a voz e o estatuto que consegui, muitos dos que me rodeiam abandonar-me-ão. As amizades são difíceis de manter. E o amor ainda mais. Como não sou nada falsa modesta, não tenho necessidade de mostrar, ou esconder, o que sou".
"O que vai ficar de mim é a lenda, não a realidade. Eu não digo o que penso pois os outros não o compreenderiam. A solidão interior é um dos meus terrores".
Biografia
Amália Rodrigues nasce em Lisboa em 1920 (desconhece-se o dia exacto, talvez a 1 ou 23 de Julho), na Rua Martim Vaz.
Em 1939 estreia-se como fadista no Retiro da Severa. Apresenta-se, depois no Olympia, em Paris. Os franceses rendem-se-lhe para sempre. Nova Iorque, Japão, URSS, Itália, etc. recebem-na triunfalmente
Em 1994, por motivos de saúde, retira-se; cinco anos depois morre na sua casa de São Bento, sendo em 2001 trasladada para o Panteão Nacional.
( "ESPÓLIO" - Reflexões inéditas de vultos da cultura portuguesa, já falecidos, a Fernando Dacosta)
José Saramago: a leitura não é obrigatória
"Vou expor uma teoria que tenho sobre a leitura, uma teoria que não é muito popular; poder-se-ia até dizer que não é politicamente correta. É que a leitura não é obrigatória. Ler não é obrigatório. Posso perguntar a um rapaz:
"Olha, por que você não lê? Não gosta de ler?". E ele pode responder: "Não, não gosto". E eu direi: "Você não percebe o que está perdendo?".
Mas imaginemos que esse rapaz seja um mergulhador e me responda: "E o senhor não percebe o que está perdendo por não mergulhar?". E ele tem razão. Isso quer dizer que não devemos ler? Não, não quero dizer isso.
O que quero dizer é que não vale a pena inventar desculpas ou explicações para algo que está muito claro desde que o livro existe.
A leitura não é uma obrigação. A leitura é uma devoção, é uma paixão, é um amor". José saramago
Os crimes horrosos recentes
dos países "civilizados"
Suécia esterelizou 63 mil mulheres até 1975
as justificações eram o direito a uma casa social ou por serem promíscuas ou... rebeldes. O país dos prémios Nobel !
A Suécia está agora a ser acusada de raptos de crianças mulçumanas. Mas não caso para espanto.
Já foi recentemente o país mais emblemático na esterelização forçada, embora programas semelhantes tenham existido em quase todos os países nórdicos (Noruega, Dinamarca e Finlândia).
Entre 1934 e 1975, a Suécia aplicou uma política estatal de esterilização baseada em princípios eugenistas e de engenharia social do Estado-providência. Durante esse período, cerca de 63.000 pessoas foram esterilizadas, na sua esmagadora maioria mulheres (mais de 90%).
Os critérios aplicados:
"Inaptidão" social e mental: Mulheres consideradas "promíscuas", "rebeldes", com dificuldades de aprendizagem ou diagnosticadas com "debilidade mental" (feeblemindedness).
Condições socioeconómicas: Mães solteiras, mulheres pobres ou pertencentes a famílias disfuncionais que o Estado considerava incapazes de educar cidadãos "produtivos".
Minoritários e marginalizados: Grupos como a minoria Romani/Tattare foram desproporcionalmente visados.
O consentimento era frequentemente obtido sob coerção — por exemplo, a esterilização era imposta como condição obrigatória para ter acesso a habitação social, apoios estatais ou mesmo para obter a custódia dos filhos já nascidos.
No final da década de 1990, após uma investigação jornalística revelar a verdadeira dimensão e os métodos do programa, o governo sueco criou uma comissão parlamentar de inquérito, emitiu um pedido de desculpas oficial e aprovou indemnizações financeiras para os sobreviventes. Programas com contornos idênticos vigoraram também na Noruega (cerca de 40.000 esterilizações), Dinamarca e Finlândia durante grande parte do século XX.
D. Quixote no Teatro Nacional S. Carlos

A literatura ibérica como mote, a orquestra como palco: dois compositores, dois mundos sonoros, uma mesma convicção de que a música pode contar histórias que as palavras apenas esboçam.
Em parceria com o À Corda Cello Festival, que desde 2020 promove o violoncelo em Coimbra, cruzando géneros e patrimónios, a Orquestra Sinfónica Portuguesa apresenta um concerto construído em torno da música programática de raiz literária espanhola, sob a direção de Nuno Coelho.
O programa abre com as Danzas fantásticas, Op. 22 (1919), do sevilhano Joaquín Turina, inspiradas no romance La orgía de José Más. Na partitura desta obra, cada um dos três andamentos – «Exaltación», «Ensueño» e «Orgía» - é precedido por uma epígrafe da novela, e cada dança convoca um idioma musical distinto: a jota aragonesa, o zortziko basco e a farruca andaluza. O resultado é um retrato sonoro de Espanha nas suas múltiplas identidades rítmicas e afetivas.
Segue-se o Don Quixote, o opus 35 (1897) de Richard Strauss, um poema sinfónico baseado no romance seminal de Cervantes. Strauss concebeu a obra como um conjunto de variações fantásticas sobre um tema cavalheiresco, confiando ao violoncelo solo – aqui interpretado por Alexandre Alvarez – a voz do próprio Dom Quixote.

Que melhor forma há de começar uma temporada do que com música a dar vida ao mito e a celebrar a arte do concerto através de um exemplo maior? A temporada 2026-2027 abre com um programa que renova o compromisso do OPART em levar os seus corpos artísticos a públicos diversos. Apresentado no Teatro Camões – sede da Companhia Nacional de Bailado – e em Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval – uma das mais conceituadas salas de concerto nacionais –, este concerto inaugural reúne a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direção do seu maestro titular, Antonio Pirolli, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e o aclamado pianista letão Georgijs Osokins.
O Concerto para piano n.º 25 de Mozart, composto em Viena em 1786 – no mesmo ano da estreia de Le nozze di Figaro – é considerado uma obra-prima da produção concertística do compositor.
Casa da Imprensa


Companhia Nacional de Bailado
Ateliers de dança para crianças e famílias inspirados no programa Desassossego Programa, por 4 euros. Desassossegar, pôr as ideias a dançar!SinopseFicha TécnicaBilhetes brevementeBilhetes brevementeSáb
03out202610:303 a 6 anosAtelierSáb, 03out202615:307 a 12 anosAtelierDom, 04out202610:303 a 6 anosAtelierDom 04out202615:307 a 12 anosAtelierSáb 10out202610:303 a 6 anosAtelierSáb 10out202615:307 a 12 anosAtelierDom, 11out202610:303 a 6 anosAtelierDom, 11out202615:307 a 12 anosAtelier
Há uma arca misteriosa no meio do estúdio. E bem lá no alto uma nuvem. Será que vão chover ideias? E na arca, o que estará lá dentro? Anda connosco abri-la e descobrir! Uma brincadeira dançada onde a imaginação não consegue (nem quer!) ficar parada. Onde não há passos certos ou errados e onde todos os sonhos, pequenos ou grandes, são possíveis.
Teatro Aberto em... Outubro

O SOM INTERIOR
ADAM RAPP
Em O Som Interior, uma professora universitária de Escrita Criativa estabelece uma relação inesperadamente intensa com um jovem e enigmático aluno em torno da paixão que ambos têm pela literatura. À medida que as histórias que ambos escrevem e contam sobre si próprios se entrelaçam, um pedido surpreendente coloca à prova os limites da confiança, da cumplicidade e daquilo que estamos dispostos a fazer por uma outra pessoa.
versão João Lourenço, Vera San Payo de Lemos dramaturgia Vera San Payo de Lemos encenação e cenário João Lourenço figurinos Marisa Fernandes desenho de luz Anabela Gaspar vídeo João Lourenço, Jorge Albuquerque
fotografias de ensaio © Filipe Figueiredo

Quarta e Quinta | 20h10 Sexta e Sábado | 21h00Domingo | 16h00
Uma comédia musical com muito humor, que conta a história de duas famílias completamente opostas: uma dedicada ao universo da ópera e outra apaixonada pela música pimba.
Entre rivalidades intensas, escorregadelas no gelo, mortes inesperadas, cinzas, karaoke e uma paixão que surge onde menos se espera, sob tectos trabalhados, tudo pode acontecer.Uma história cheia de música, dança, gargalhadas e reviravoltas que promete divertir o público do início ao fim.
de Hugo Franco texto José Campos e André Pereira encenação Hugo Franco música e direcção musical Carlos Pires, cenografia Marco Mercier, assistência de encenação Rogério Vale e Madalena Nestório, interpretação Carlos Paulo; David Granada; Elsa Galvão; Júlia Sousa; Maria Ana Filipe; Marco Paiva; Rita Cruz; Sara Belo e Tomás Taborda, música Carlos Pires; César Correia; Gonçalo Martins e Jorge Silva cenografia e figurinos Renato Godinho desenho de luz Rogério Vale fotografia Pedro Soares luz e som Rogério Vale reservas@comunateatropesquisa.pt +351 217 221 770 +351 925 147 464
440 mil milhões de euros revela Cristhine Lagarde
Os europeus financiam empresas americanas de IA
Depois da exigência de Trump de que os europeus gastem 5% do seu PIB a comprar armas aos próprios Estados Unidos, é a vez de Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional [atual presidente do Banco Central Europeu], alertar para a despesa que a Europa vai fazer comprando IA aos Estados Unidos
Depois da exigência de Trump de que os europeus gastem 5% do seu PIB a comprar armas aos próprios Estados Unidos, é a vez de Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional [atual presidente do Banco Central Europeu], alertar para a despesa que a Europa vai fazer comprando IA aos Estados Unidos.
Lagarde salientou que as taxas de juro europeias evoluem em grande medida em linha com as taxas norte-americanas. No final, "a Europa suportará parte do custo deste 'boom' através dos seus próprios custos de financiamento", sublinhou.
Segundo Lagarde, "a questão é saber se também beneficiará do crescimento que o acompanha".

Para a presidente do BCE, o desafio é tanto mais importante quanto a inteligência artificial representa uma das principais esperanças para relançar a produtividade europeia, numa altura em que o envelhecimento demográfico reduz a mão de obra disponível e a Europa enfrenta grandes necessidades de investimento.
Na sua opinião, a Europa precisa de modelos "suficientemente avançados" que funcionem em infraestruturas europeias. Por isso, o continente não
Na sua opinião, a Europa precisa de modelos "suficientemente avançados" que funcionem em infraestruturas europeias. Por isso, o continente não pode "limitar-se a comprar" esta tecnologia no exterior.

"Se a IA europeia se resumir à Mistral, então estamos tramados", alertou recentemente o ministro francês da Economia, Roland Lescure.

No ano passado, os Estados Unidos produziram 59 modelos de inteligência artificial considerados relevantes, contra 35 na China e apenas um em França e no Reino Unido, segundo o relatório Stanford AI Index.
Lagarde citou a startup francesa Mistral, que desenvolve modelos de IA abertos e acaba de captar três mil milhões de euros para se expandir, mas apelou para o desenvolvimento de mais modelos europeus de inteligência artificial.
A nova fraude nacional-socialista (nazi) alemã
Alice Weidel
Assumida lésbica está contra a homosexualidade na Alemanha
A História volta a repetir-se, Alice Weidel, líder de extrema-direita AdF declara-se contra a homossexualidade, mas identifica-se publicamente como lésbica e vive numa união civil com a sua companheira Sarah Bossard, produtora de cinema.
Weidel também afirmou considerar o aumento no número de islâmicos na Alemanha uma ameaça aos homossexuais


É contra a adopção de crianças por homossexuais mas adoptou duas crianças com a sua companheira Sarah Bossard.
É contra a imigração mas a sua companheira Sarah Bossard nasceu no Sri Lanka e foi adotada em criança por uma família suíça, crescendo na Suíça e detendo a nacionalidade helvética. Quando vivem na Suíça, Weidel é cidadã estrangeira residente e na Alemanha, Bossard tem estatuto de estrangeira/imigrante.
Alice Weidel diz-se patriota alemã mas reside no cantão suíço de Schwyz, onde vive com a companheira e os dois filhos. Anteriormente, residiam em Biel/Bienne.

No estado de Baden-Württemberg, junto ao Lago de Constança, mantém residência oficial para ter base eleitoral na Alemanha e apoio ao tempo de trabalho em Berlim devido às funções no parlamento (Bundestag).
Recorde-se Adolf Hitler, nasceu em Braunau am Inn, uma pequena localidade no estado da Alta Áustria, junto à fronteira com a Alemanha (Baviera), a 20 de abril de 1889. jrr
Judeus alemães alarmados com vitória da extrema-direita


A vitória eleitoral da Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxónia-Anhalt gerou fortes reações de alarme na sociedade civil e na comunidade judaica. Com cerca de 44% dos votos e 39 deputados, o partido de extrema-direita ficou a apenas três lugares da maioria absoluta regional, muito à frente da CDU (17,5%) e dos restantes partidos tradicionais.
Principais reações:
Josef Schuster (Conselho Central dos Judeus): Declarou consternação com a hipótese de um partido de extrema-direita liderar um estado alemão e responsabilizou diretamente os eleitores pela escolha.
Charlotte Knobloch (Comunidade Judaica de Munique): Manifestou receio pelo estado da democracia no país, sublinhando que a elevada afluência às urnas (80%) torna a vitória da extrema-direita ainda mais preocupante.
Eva Umlauf (Comité Internacional de Auschwitz): Comparou o momento à ascensão nazi nos anos 1930 e apelou à defesa contínua da memória e dos valores democráticos.
foto Josef Schuster





Alemanha vitória histórica na Saxónia-Anhalt
Extrema-direita pró-rússia com 43% na Alemanha
O fim do apoio militar e financeiro à Ucránia e aproximação imediata à Rússia são as duas grandes metas do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) que ganhou as eleições no estado federado da Saxónia, na Alemanha, com 43,8 por cento dos votos. O AfD tem sido acusado com frequência de ser financiado pelo bilionário americano Elon Musk da X, Tesla e SpaceX
Quais são os pontos principais do programa do ADF
Imigração zero e remigração: Defesa do encerramento de fronteiras com controlo físico rigoroso, suspensão total de novos pedidos de asilo e aplicação de programas de repatriação em larga escala de cidadãos estrangeiros sem direito de residência ou condenados por crimes.
Euroceticismo radical e "Dexit": Oposição contínua às diretrizes da União Europeia, propondo o regresso de competências nacionais, a rejeição das dívidas mútuas europeias e, em último caso, a realização de um referendo sobre a saída da Alemanha da UE ou o abandono do Euro.
Reversão total da transição ecológica (Klimawahn): Fim imediato dos subsídios estatais a energias renováveis, cessação das proibições de veículos a combustão e reativação plena das centrais nucleares e a carvão, rejeitando as metas climáticas do Acordo de Paris.
Geopolítica pró-Moscovo e fim de sanções: Fim do apoio militar e financeiro à Ucrânia, normalização total das relações comerciais e energéticas com a Rússia (incluindo o regresso do gás russo barato) e desconfiança face à influência dos EUA e da NATO.
Defesa da identidade cultural tradicional: Rejeição veemente do multiculturalismo e das políticas de identidade de género e promoção do modelo familiar tradicional através de incentivos à natalidade exclusivos para cidadãos de nacionalidade alemã.
A Ascensão de Adolf Hitler
Da manipulação da Democracia
à Ditadura Absoluta
O surgimento e a radicalização (1919–21)
O Partido Nacional Socialista de Hitler
Após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, Hitler juntou-se ao insignificante Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP), em Munique. Graças à sua oratória agressiva e populista, assumiu rapidamente o controlo do grupo, transformando-o no Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP, ou Partido Nazi). Criou também as SA (Sturmabteilung), forças paramilitares responsáveis por intimidar opositores nas ruas.
A tentativa de golpe e nova estratégia (1923–25)
Em novembro de 1923, tentou derrubar o governo da Baviera no chamado Putsch da Cervejaria. O golpe fracassou e Hitler foi condenado a prisão, onde redigiu o primeiro volume de Mein Kampf ("A Minha Luta"). Libertado ao fim de apenas nove meses, percebeu que a conquista do poder não seria feita pelas armas, mas sim através dos mecanismos legais da democracia de Weimar.
A Grande Depressão e o sucesso eleitoral
(1929–32)
O colapso económico global de 1929 mergulhou a Alemanha no desemprego em massa e na miséria. O Partido Nazi explorou o ressentimento popular contra o Tratado de Versalhes, a instabilidade política e o receio da expansão comunista. Com a ajuda da propaganda liderada por Joseph Goebbels, o partido passou de força marginal à maior bancada no parlamento (Reichstag) em 1932.
A chegada a chanceler (30 de janeiro de 1933)
Políticos conservadores e industriais convenceram o envelhecido Presidente Paul von Hindenburg a nomear Hitler chanceler, acreditando ingenuamente que poderiam controlá-lo e conter a ameaça de esquerda.
O Incêndio do Reichstag
e a suspensão de liberdades (fevereiro de 1933)
Quatro semanas após tomar posse, a 27 de fevereiro de 1933, o edifício do parlamento alemão foi consumido pelas chamas. O regime culpou imediatamente uma conspiração comunista e aproveitou o incidente para aprovar o Decreto do Incêndio do Reichstag. Este decreto suspendeu as liberdades civis básicas (liberdade de imprensa, de reunião e inviolabilidade da correspondência) e autorizou prisões arbitrárias em massa de deputados e ativistas de esquerda.
A Lei de Plenos Poderes e o fim da democracia (março–julho de 1933)
Sob um clima de ameaça e com muitos opositores já encarcerados, o parlamento aprovou a Lei de Plenos Poderes (Ermächtigungsgesetz). Esta lei retirava os poderes ao parlamento e permitia a Hitler governar por decreto, sem necessidade de aprovação legislativa ou constitucional. Nos meses seguintes, todos os outros partidos políticos e sindicatos foram dissolvidos e proibidos, restando apenas o Partido Nazi.
A Noite das Facas Longas e a fusão (1934)
Entre junho e julho de 1934, Hitler ordenou uma purga sangrenta conhecida como a Noite das Facas Longas, assassinando rivais políticos e a liderança das próprias SA (incluindo Ernst Röhm), garantindo a fidelidade incondicional do exército regular. Pouco depois, com a morte de Hindenburg em agosto de 1934, Hitler aboliu o cargo de presidente e fundiu-o com o de chanceler, proclamando-se Führer (líder) e comandante supremo das forças armadas. O Estado de direito foi definitivamente desmantelado, instaurando-se o regime totalitário do Terceiro Reich.
Primo Levi: a culpa de ter sobrevivido a Auschwitz

Primo Levi (1919–1987) é um dos mais conhecidos nomes de Auschwitz e sobreviveu. Era judeu. Primo Levi permanece como uma das vozes mais lúcidas, despidas de ódio e moralmente rigorosas do século XX. O seu legado transcende o mero relato testemunhal: Levi operou como um cientista da alma humana perante a aniquilação deliberada da dignidade.
A Sobrevivência em Auschwitz. Químico de formação e judeu italiano, Levi foi capturado em 1943 enquanto integrava a resistência antifascista e deportado para Auschwitz III (Monowitz) no início de 1944.
A sua sobrevivência deveu-se a uma combinação improvável de fatores: a sua formação científica permitiu-lhe ser alocado a um laboratório da fábrica de borracha sintética da IG Farben nos meses mais frios de inverno.
A ajuda clandestina de um trabalhador civil italiano (Lorenzo Perrone) que lhe fornecia restos de sopa diários, é preciosa.
A outra inesperada ajuda será ima crise de escarlatina no momento da evacuação alemã — o que o impediu de marchar nas letais "marchas da morte", acabando libertado pelo Exército Vermelho em janeiro de 1945.
A Obra: O Olhar Analítico da Memória Levi escreveu não para vingar, mas para compreender. A sua prosa caracteriza-se pela precisão descritiva, despida de histeria retórica:
Se Isto É um Homem (1947): Uma autópsia da desumanização. Levi detalha o sistema concentracionário onde a fome, o trabalho forçado e o frio desmantelavam a identidade do indivíduo até ao limite moral e biológico.
A Trégua (1963): A errática odisseia de regresso à Itália através de uma Europa oriental em ruínas, marcada pelo contraste entre a sobrevivência física e o trauma latente.
Os Afogados e os Sobreviventes (1986): A sua obra teórica definitiva, onde formula o conceito da "zona cinzenta" — o espaço moral ambíguo em que opressores e oprimidos se cruzavam para sobreviver, recusando simplificações maniqueístas do mal absoluto.
A negação do Holocausto
O Fim de Vida e o Peso da Memória A ideia de que Levi morreu "abandonado" no sentido social não corresponde exatamente aos factos, mas reflete com precisão o seu isolamento existencial e intelectual. Em Turim, Levi vivia integrado na família e cuidava da mãe idosa e doente, mas carregava o estigma profundo da culpa do sobrevivente — a angústia de crer que "os melhores não regressaram".
Nos seus últimos anos, o isolamento agravou-se perante a ascensão de correntes negacionistas do Holocausto e a indiferença das novas gerações, que lhe pareciam esquecer a facilidade com que um regime civilizado tomba na barbárie.
Em abril de 1987, caiu do vão de escadas do seu prédio em Turim, com a investigação a concluir tratar-se de suicídio (embora amigos e biógrafos continuem a debater se foi deliberado ou um acidente provocado por vertigens e medicação).
Elie Wiesel resumiu o impacto dessa morte afirmando que "Primo Levi morreu em Auschwitz quarenta anos depois".
A grandeza de Primo Levi reside em ter transformado a experiência do abismo humano num instrumento de conhecimento ético e racional, exigindo a cada leitor a responsabilidade permanente da lucidez.
Um aviso chamado Guernica

Guernica (1937) é o mais contundente manifesto contra a guerra da arte moderna e um aviso da brutalidade anunciada do que viria a ser a política de Hitler.
Criado em resposta ao bombardeamento nazi da cidade basca homónima, o mural recusa representações literais de armas ou aviões para focar exclusivamente o horror imposto aos civis. Em tons estritos de preto, branco e cinzento, evoca o registo documental da imprensa da época num cenário de caos e claustrofobia.
O seu significado assenta em símbolos viscerais de dor e resistência: A mãe com o filho morto: encarna o luto absoluto e a perda da inocência.
O cavalo agonizante: representa o povo desmembrado pela violência mecanizada. O touro: traduz a brutalidade cega do autoritarismo e da tirania.
O soldado caído e a flor: no chão desfeito, a espada partida e a flor débil lembram a derrota militar e a ténue esperança de renovação.A lâmpada e a vela: confrontam a tecnologia destrutiva com a luz frágil da verdade e da consciência.
Pablo Picasso Figura cimeira das vanguardas e cofundador do cubismo, Pablo Picasso (1881–1973) revolucionou a pintura ao romper com a perspetiva clássica e fragmentar o espaço. Com Guernica, colocou a sua genialidade formal ao serviço direto do compromisso político antifascista. Numa recusa firme da ditadura, estipulou que a tela só regressaria a Espanha após a restauração plena da democracia — o que se concretizou apenas em 1981, integrando hoje o acervo do Museu Reina Sofia, em Madrid.
Santo António de Lisboa
Santo casamenteiro
e não só
Quando havia bons jornais em Portugal, um dos de maior circulação, o Diário Popular, pegou num dos mitos mais queridos dos
lisboetas, Santo António e, ligando-o ao imaginário romântico do público criou, com grande êxito, os chamados Casamentos de Santo António, caracterizados por enlaces conjuntos de vários casais

Percebendo o seu significado identitário numa cidade, num país a perder raízes, o cineasta Ruben Alves realizou um filme de grande ternura sobre nós, ternura próxima da que sentimos pelo Santo - pelo que julgamos ele ter sido.
O povo da capital pegou nele e fê-lo, séculos atrás, seu símbolo, símbolo (alibi) de paganismos, de brejeirices, de matreirices. Não cuidou de saber se ele, um prestigiado e sábio franciscano, condizia com a imagem que lhe (im)pôs. Não condizia. Isso não teve, porém, importância. A ficção fez-se realidade e o santo tornou-se não no que era, mas no que diziam que era.
O desejo que algo aconteça costuma criar expectativas, condições para que esse algo aconteça. Isso explica o surgimento de líderes, de messias, de tiranos, de santos, de mitos. O mito de Santo António surgiu assim, a partir da vida de Fernando Martins de Bulhões, o seu nome verdadeiro, oriundo de uma família abastada de Lisboa.
Começou desde criança a sentir-se atraído pelas encenações religiosas que via realizar-se na Sé, ao lado da casa onde morava com os pais. "As pompas do culto, a beleza dos altares deliravam-no", dizem os cronistas. Aos 15 anos pede que o admitam como noviço. Aceite, entrega-se, convicto, à fé; e à Gramática, à Retórica, à História, à Teologia, disciplinas em vigor nas escolas catedralícias da época; e ao convívio, ao amor, à licenciosidade, à duplicidade frequentes entre rapazes na Idade Média.
A sua devoção vai, inteira, para a Virgem Santíssima, que escolhe como preceptora e sustentáculo. Ela ajuda-o a aceitar as paixões humanas que o aguilhoam - e que ele aguilhoa. É tentado, tenta, homens e mulheres, estrangeiros e passantes, desconhecidos e íntimos. "Joli garçon", "nice boy" lhe chamam os cruzados que sobem à Sé.
Iniciado pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho de São Vicente de Fora, o jovem transfere-se dois anos depois para o mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. A biblioteca, o estudo, a escrita, a meditação tornam-se-lhe refúgios crescentes. Em 1220 é ordenado.
Conhece o ideal dos franciscanos e apaixona-se por ele. O ermitério de Santo António dos Olivais, de Coimbra, recebe-o. Adopta, em sua homenagem, o nome do patrono do convento.
Amigo do Papa
Uma tarde vê chegar os corpos de mártires de Marrocos. Siderado, quer embarcar imediatamente para o Norte de África e pelejar, e morrer pela
expansão da fé. Embarca. Ao chegar ao Magrebe cai, porém, doente. Receosos, os superiores mandam-no para a Sicília. A Itália muda-lhe a vida.
Pregador de nomeada (chegava a ser escutado por mais de trinta mil pessoas), percorre o sul da Europa em campanhas de catequização e afectuosidade. Torna-se amigo pessoal de São Francisco de Assis e do Papa Gregório IX.Exaltado, acomete nas prédicas e nos escritos contra os homens da lei ("para ganharem dinheiro ladram nos pretórios como cachorros"), e contra os exploradores: "Oh, quantos se vestem de púrpura, isto é de pano tinto de suor e sangue do pobre, pois se vestem de lucros ilícitos!".
Entrega-se aos desprotegidos, aos infelizes, aos sofredores, aos doentes. Galvaniza-os. Galvaniza-se.
"Ninguém considere propriedade sua tudo o que subtraiu ao património de todos. O pão que a dispensa acumula pertence aos famintos. O dinheiro que tem escondido representa a parte dos pobres", exalta.Os seus sermões resultam excepcionalmente bem em termos de comunicação de massas. Construídos segundo os cânones da época, ganham impacto, luminosidade incomuns.
Padre António Vieira inspira-se neles para arquitectar a estrutura dos seus. Agostinho da Silva, o último grande orador português, considera-os "um modelo da arte de pensar e comunicar".Santo António faz-se um Zé Povinho dos altares, uma projecção quente, humaníssima de nós, um vingador das injustiças, desamores, impotências, abandonos, silenciamentos de nós.
Torna-se um herói no nosso imaginário popular e literário (Augusto Gil, Aquilino Ribeiro, Afonso Lopes Vieira, Agustina Bessa Luís), nas artes plásticas (Columbano, Pedro Alexandrino, Almada, Rosa Ramalho, Zé Franco), no teatro (João Villarett fará dele, satirizando Salazar, também António, uma das personagens mais fabulosas do Parque Mayer; Maria Emília Correia encenará um Menino ao colo, no Teatro da Trindade).
A fama de casamenteiro advém de, em jovem, ajudar raparigas desprotegidas a obterem dotes que lhes permitissem casar por amor. Vários regimentos (em Portugal, no Brasil, na Índia, em Moçambique) tomam-no para seu patrono, recebendo deles altos postos e soldos. Os mancebos (de todas as incorporações, de todas épocas) afeiçoam-se com gosto ao feitio anti formalista, anti-legalista, anti-elitista que diz-se ter sido o dele — ele que nunca foi tropa.
Numa terça feira,13 de Junho de 1231, moribundo, ele exclama de repente: "Vejo o Senhor!", estende os braços e expira. Tem 36 anos. Será canonizado pelo papa Gregório IX um ano depois. De imediato os meninos de Pádua correm pelas ruas gritando, "Morreu o Santo, morreu o Santo, o Santo, o Santo!"
Em 1934, Portugal declara-o seu padroeiro.
World Press Cartoons





Todo o ouro já extraído da crosta terrestre seria insuficiente para pagar a dívida norte-americana. Seriam necessárias sete Nvidias ou cada cidadão norte-americano doar 117 mil dólares.


New York Times "A vingança molda as prioridades do presidente, impulsiona suas ações e estrutura as decisões do seu governo", escreve nossa colunista Jamelle Bouie. "Nenhum lugar é mais aparente do que quando Trump desvia o peso do governo federal contra aqueles americanos que desafiam a sua vontade." https://nyti.ms/4xxjJuv


INACREDITÁVEIS OS ATRASOS NA CP Fui à Gare do Oriente esperar dois amigos que regressavam de Braga. O comboio estava atrasado. Sentei-me no piso que funciona como sala de espera a tomar um café e foi, então, que despertei para a barafunda que se vive na linha férrea.
Os altifalantes não se calaram um minuto que fosse anunciando comboios atrasados. Não sei se é epidemia. Não há um raio de um comboio que chegue a horas e o ambiente da sala de espera faz lembrar os sons de um grande arraial informando atrasos.
É inacreditável.A CP vive em paz com esta barafunda, ou melhor, a administração da CP que deveria zelar pelo serviço que presta aos cidadãos, respira tranquila, ufana e alegre.
É indigno de um país que quer mostrar-se desenvolvido. E pagamos todos os custos deste desleixo. Não é aceitável.
O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel.
Isr3l destroi o Libano
O mistério do navio de Portugal
Trump um valentim em grande






ERC afirma: Governo controla LUSA
O Conselho Regulador da ERC determinou que a atual estrutura da agência Lusa não cumpre o quadro normativo nem as recomendações de independência para a comunicação social pública face ao poder político.
Na sequência de uma queixa do Sindicato dos Jornalistas (SJ), a entidade reguladora considerou que as regras estatutárias devem ser definidas pela Assembleia da República e não por deliberação do Governo, tendo ainda instaurado um procedimento autónomo para avaliar o impacto concorrencial das sinergias com a RTP.
O SJ defendeu que o processo legislativo acolha este parecer para assegurar a conformidade com a Constituição e com o Regulamento Europeu relativo à Liberdade dos Meios de Comunicação Social.
A falta de independência face ao poder político decorre dos seguintes pontos:
Método de fixação dos estatutos: As regras estatutárias da agência foram aprovadas por mera deliberação do poder executivo (governo), em vez de terem sido fixadas por lei da Assembleia da República (o parlamento).
Vulnerabilidade a interesses partidários: Por terem sido definidos diretamente pelo executivo, os estatutos ficaram sujeitos à discricionariedade do governo de turno, em vez de estarem blindados por garantias legislativas amplas.
Incumprimento de normas e boas práticas: A estrutura adotada não respeita o quadro normativo, as recomendações internacionais nem as salvaguardas exigidas pela Constituição e pelo Regulamento Europeu relativo à Liberdade dos Meios de Comunicação Social para proteger a autonomia da redação.
José Saramago: a leitura não é obrigatória
"Vou expor uma teoria que tenho sobre a leitura, uma teoria que não é muito popular; poder-se-ia até dizer que não é politicamente correta. É que a leitura não é obrigatória. Ler não é obrigatório. Posso perguntar a um rapaz:
"Olha, por que você não lê? Não gosta de ler?". E ele pode responder: "Não, não gosto". E eu direi: "Você não percebe o que está perdendo?".
Mas imaginemos que esse rapaz seja um mergulhador e me responda: "E o senhor não percebe o que está perdendo por não mergulhar?". E ele tem razão. Isso quer dizer que não devemos ler? Não, não quero dizer isso.
O que quero dizer é que não vale a pena inventar desculpas ou explicações para algo que está muito claro desde que o livro existe.
A leitura não é uma obrigação. A leitura é uma devoção, é uma paixão, é um amor". José saramago
Natália Correia
Quanto Mais Amada Mais Desisto

O Espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Quanto Mais Amada Mais Desisto
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


0 mundo lisboeta de Natália Correia
Natália Correia viveu quase toda a sua vida em Lisboa, cidade angular de toda a sua existência.
Nela escolheu a sua residência numa zona de confluência de várias camadas sociais - à distância o Rato (espaço aristocrático), ao cimo o Marquês de Pombal (área burguesa) e, defronte, a Avenida da Liberdade (zona cosmopolita).
Corriam os anos 50 quando a escritora, então em início de carreira, descobriu um quinto andar na Rua Rodrigues Sampaio: "Um dia vim aqui visitar uns amigos e a atmosfera da casa atraiu-me logo. Eles mudaram-se e este apartamento esteve muito tempo devoluto, como que à espera que eu casasse e o alugasse".

Situava-se num edifício sólido e elegante, discreto e requintado com, no rés-do-chão, uma das melhores pastelarias-restaurantes da cidade. Natália passou a habitar o último piso após o seu casamento, em 1953, com Alfredo Lage Machado. "Ele foi o grande amor da sua vida", confidenciou-nos Helena Cantos (protagonista feminina do filme Santo Antero),e sua amiga íntima durante décadas.
Com invulgar bom gosto, a poetisa decorou-o. Na entrada dispôs um busto seu da autoria de Martins Correia; no salão principal instalou a biblioteca composta por milhares de volumes, um auto-retrato, um óleo de Cesariny, uma escultura de Júlio de Sousa e uma máscara de Eça de Queiroz, de Tomas Costa.
Em posição de destaque, uma gigantesca mesa-secretária, estilo império, com tampo de mármore escuro e pés dourados, cadeiras Luís XVI, porcelanas chinesas (herdadas da mãe), peças de artesanato e um tabuleiro de xadrez; numa sala anexa, vários quadros contemporâneos, um canapé, um par de bergeres e um bar de estilo renascença.

Durante duas décadas a casa tornou-se um dos mais pujantes salões literários de Lisboa, onde se reuniam, pelas noites fora, intelectuais, artistas, escritores, pintores, políticos.
"Natália Correia e o seu marido cederam a sua elegante residência", descreve um jornal da época, "para a representação da peça de Jean-Paul Sartre, Huis Clos, inédita entre nós. Foi interpretada por Natália Correia, Maria Ferreira, Castro Freire e Manuel Lima".
O espectáculo, encenado por Carlos Wallenstein, teve entre a assistência Isabel da Nóbrega, Urbano Tavares Rodrigues, Sophia de Mello Breyner, Francisco Sousa Tavares, João Gaspar Simões, Fernando Amado e Almada Negreiros.
Numa noite, em 1950, Henry Miller bate à porta de Natália que fica espantada. Ele entra, senta-se e discute com os presentes, entre os quais David Mourão Ferreira e Delfim Santos, o tema do amor.
Ao sair, o romancista norte-americano exclamará: "Aqui sentimo-nos ou no século XVIII ou no ano 2000. Foi preciso vir a Portugal para encontrar uma verdadeira pitonisa". Entre outros vultos universais que a frequentaram, destacam-se Ionesco, Claude Roi e Michaux.
Em 1971 resolve abrir, com a escultora Isabel Meyrelles, o Bar Botequim, na zona da Graça. Transfere para aquele local as tertúlias da sua casa, adaptando-o com requinte. As mesas são especialmente encomendas, as cadeiras estofadas a veludo, as paredes revestidas a damasco. O bar tornar-se-à (com piano em fundo) um novo santuário de Natália Correia. Noite após noite, ano após ano, a poetisa ali fará inesquecíveis tertúlias, discussões, conspirações.
O quarto da escritora revelava-se um verdadeiro casulo. Nas paredes sobressaíam crucifixos, imagens do Padre Cruz e medalhas de Nossa Senhora de Fátima.
A cama era de bilros com dossel, a secretária um bufete em pau-santo, a abarrotar de manuscritos e livros. Acordava ao fim da manhã, tomava uma refeição ligeira na cama, e dedicava o tempo a escrever na secretária.
Ao fim da tarde, pelas sete horas, chegavam as amigas íntimas que recebia enquanto tomava banho. "De seguida escolhia a roupa, ocupando-se o senhor Machado de lhe comprar os batons, as sombras, as meias", pormenoriza Helena Cantos. "Jantava e, depois, seguia invariavelmente para o Botequim".
Os últimos anos de Natália Correia foram marcados por preocupações constantes. A mãe morre no Brasil e a irmã Carmen desaparece naquele país, onde se radicara, tendo sido possivelmente assassinada; o marido falece, após 39 anos de um casamento harmonioso; as dificuldades económicas espreitam e vários amigos afastam-se.

"Ela poderia ter vendido a sua colecção de pintura ou a biblioteca, mas não era capaz, dadas as recordações que encerravam", refere Helena Cantos. "Além disso queria legar esse património aos Açores".
A autora de Sonetos Românticos dedica-se, com a incansável ajuda de João Rubus, a reunir os seus manuscritos espalhados pela casa. O trabalho resulta na edição da Poesia Completa, a que deu o título de O Sol nas Noites e Luar nos Dias. Na noite de 16 de Março de 1993 passa a noite, como de costume, no Botequim. Ao regressar a casa, pelas quatro horas da madrugada, sente-se mal e sucumbe de um ataque cardíaco.
Após a morte, em 1997, de Dórdio Guimarães (seu último marido) iniciou-se o inventário do recheio da casa. Os livros e manuscritos foram tratados por técnicos da Biblioteca Nacional que descobriram grandes raridades, como edições dos séculos XVI a XIX. Os quadros foram estudados pelo "marchand" Manuel de Brito.

Entre os bens, entregues aos Açores e guardados no Museu Carlos Machado e Biblioteca Pública de Ponta Delgada, sobressaem 10 mil livros , 286 pinturas esculturas de autores portugueses , móveis , roupas e objectos pessoais e contas bancárias. O seu acervo literário, contendo diversos manuscritos inéditos encontra-se guardado em 176 caixas na Biblioteca de Ponta Delgada.
Tudo este património destina-se, segundo o testamento, a criar o Museu Natália Correia, na Fajã de Baixo, em São Miguel, sua terra natal – o que, passados 32 anos, não se efectivou. Ainda.















