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Edição de 28 de Fevereiro de 2026, com actualizações diárias
Trump reacende caos no Médio Oriente
Martha G. Alves
No Irão, as crianças de Minab já não têm escola; o que resta são escombros de tijolo e o silêncio aterrador de 85 alunas cujas vidas foram apagadas entre cadernos de exercícios e pó. Mais um horror assinado por Trump.
No Dubai, o brilho do vidro e do aço foi quebrado pelo estrondo de mísseis intercetados, e o ar, antes perfumado a luxo e comércio, cheira agora a pólvora e do medo.
No aeroporto internacional, as multidões sentam-se no chão, não à espera de férias, mas de um sinal de que o mundo não vai explodir antes do próximo voo.
Olhei para as imagens de Teerão: são vultos cinzentos que correm sob um céu laranja, fugindo de alvos que os generais chamam de 'estratégicos', mas que são apenas a casa, a rua e o fim de quem lá vive.
Os comunicados de Washington e T3lavive falam em 'eliminar ameaças' e 'precisão iminente', mas não há precisão que console uma mãe sobre o corpo de um filho. Isra3l nuclear reclama a necessidade de parar o átomo iraniano antes que seja tarde demais. E o Irão responde com uma chuva de metal sobre o Golfo e Isra3l, dizendo que a sua soberania não se negoceia.
É esta a vitória?
O Dubai com voos suspensos e sirenes no porto de Jebel Ali? Israel sob o som das explosões? A guerra, vista daqui, não é um jogo de xadrez entre líderes protegidos em 'bunkers'.
É a história de pessoas comuns transformadas em danos colaterais pela teimosia de homens que confundem poder com civilização, subesc frevendo teorias messeânicas. Se aceitarmos garantir a paz, bombardeando a infância alheia, perdemos a dignidade humana. Martha G. Alves
A literatura é a espinha dorsal da identidade persa, actual Irão, em em qualquer casa iraniana, desde a mais humilde à mais abastada, há um exemplar de o Divan de Hafez (século XIV).Hafez de Shiraz não é apenas um poeta; é um oráculo. Os iranianos praticam o Fal-e Hafez, abrindo o seu livro ao acaso para ler o destino. Ferdowsi é o outro pilar, autor do Shahnameh (Livro dos Reis), a epopeia que salvou a língua persa da extinção.
O Mais Influente da Prosa Moderna
Na literatura moderna e daquele que definiu o romance iraniano contemporâneo, o nome é Sadegh Hedayat (1903–1951). A sua obra-prima,

A Coruja Cega (The Blind Owl), é considerada o melhor romance iraniano de sempre. É uma obra sombria, surrealista e existencialista que influenciou todas as gerações seguintes. Hedayat é para o Irão o que Kafka é para o Ocidente.
O "Gigante" Vivo e candidato a Nobel
O escritor vivo mais respeitado e frequentemente apontado como candidato ao Nobel é Mahmoud Dowlatabadi. É o autor de Kelidar, um romance épico de 10 volumes (mais de 3000 páginas) sobre a vida rural e a luta de um herói nómada. Dowlatabadi é amado pela sua escrita densa, realista e profundamente ligada à terra e ao povo iraniano.
Atualmente, há vozes que dominam as tabelas de vendas e a atenção internacional: Marjane Satrapi: A sua novela gráfica Persepolis é, sem dúvida, a obra de origem iraniana mais lida e popular em todo o mundo nas últimas décadas.
Zoya Pirzad: Extremamente popular no Irão, especialmente entre o público feminino, pela sua escrita delicada sobre a vida quotidiana e doméstica (ex: I Will Turn Off the Lights). Reza Amirkhani: Um dos autores mais vendidos dentro do Irão atual, conhecido por obras que exploram temas sociais e religiosos com uma linguagem moderna. Em resumo escolhemos para a alma Hafez, para o intelecto Sadegh Hedayat. pela grandiosidade Mahmoud Dowlatabadi.
Editorial Cidadãos do mundo

Ainda ninguém é tão globalizado que possa impor-se como cidadão do mundo, embora muitos se julguem, se afirmem detentores de tão excessivo cosmopolitismo. É que todos somos, antes de mais nada, cidadãos circunstanciais, na expressão de Agostinho da Silva, e é no sê-lo que reside a nossa genuinidade, logo "a nossa universalidade".
A assunção dos caboucos (geográficos, culturais, identitários) de uma pessoa são mais valias cuja rejeição não enobrecem.
O mesmo Agostinho, sempre orgulhoso da sua nortenha Barca de Alva (onde passara, moldara a infância), jamais desculpou aos amigos António Sérgio e Almada Negreiros o terem vergonha de serem naturais da Índia, o primeiro, e de São Tomé e Príncipe, o segundo, jurando-se ambos alfacinhas. Almada, mestiço de pele, insultava inimigos (caso do sofisticadíssimo Júlio Dantas) de preto, de cigano, de marmelada, de ignorante. O nojo pela pátria, no sentido de terra, de húmus é,
aliás, pecha do nosso irremediável, incomensurável provincianismo.
Curiosíssima se torna, a propósito, a observação do autor de Conversas Vadias sobre as raízes de cada um: A vida de um homem deve contar-se a partir de 25 anos antes do seu nascimento, pois o ambiente em que ele nasce forma-se por uma série de acontecimentos anteriores que criam a atmosfera moral onde o seu espírito se molda e evolui". Imersos hoje na desnatadeira da CE,
vale a pena reflectir sobre temas destes a fim de não sermos liquefeitos de vez pelas maquinetas formatizadoras dos tais cidadãos do mundo, isto é, cidadãos de pastagens massificadas,

que disso trata - um pomposo internacionalismo (político, económico, artístico, informativo, educacional, intelectual, comportamental) com que nos descaracterizam, nos descaracterizamos."Quem não pertence a um lugar, não pertence ao mundo!", exclamava Natália Correia.

Museu Nacional de Arte Antiga
O mistério do Inferno sem nome
Raul B. Gomes
Nas caves do Museu Nacional de Arte Antiga, onde o tempo estagna e se mistura com o bafo dos séculos repousa um pesadelo de madeira titulado de Inferno de autor anónimo. É um painel feito de sombras e de gritos mudos, que sobreviveu à destruição, para que a nossa dor não se perca num deixa-andar. Olho para aquelas figuras contorcidas e vejo nelas um lado da vida: o lodo do pecado e o esterco do suplício, pintados com a precisão de quem conhece o bicho que nos rói o intímo. Ali, o diabo é um funcionário da agonia, organizando o caos com a paciência fria de quem espera por todos nós. O quadro é um farrapo de alma quinhentista, uma janela aberta
para um abismo de luz baça e carne condenada que o museu guarda no silêncio de uma lousa. A assinatura não existe, porque a dor não tem nome; é apenas um rasto de fumo que ficou preso nos espinhos do caminho. Somos todos esses fantasmas, à espera de um amanhecer que naquele inferno nunca chega a romper. Escrever sobre este painel é um esforço contra a loucura, perante o ruído do nada que sobe das caves. Naquelas profundezas, a morte não reconcilia, apenas observa, enquanto a eternidade nos esmaga com o seu peso de pedra e mistério. Em quinhentos anos nada mudou e no futuro nada mudará.
Andrew: um agente secreto?
A monarquia britânica está em pânico por causa do príncipe André, alvo de acusações graves sobre partilha de documentos secretos, que levaram agora à sua prisão e posterior libertação. A detenção ocorreu na sua residência de Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público. A BBC e a CNN Brasil relatam que a investigação foca-se na partilha de documentos governamentais confidenciais com Jeffrey Epstein durante o seu tempo como enviado comercial.
A operação incluiu buscas em propriedades em Berkshire e Norfolk, tendo o ex-príncipe sido libertado sob investigação após 11 horas de interrogatório. O Rei Carlos III declarou que "a lei deve seguir o seu curso", enquanto a polícia continua a analisar novos e-mails e arquivos comprometedores. Este evento sem precedentes marca a primeira vez na história moderna que um membro sénior da realeza é detido. André nega todas as acusações, mas o cerco jurídico aperta-se com a cooperação entre as autoridades britânicas e americanas.
Viajando, Raul B. Gomes
Egipto: o mistério das pedras gigantes
viagem ao colossal passado dos faraós - olhando da janela para o além
na Praça Tahrir, José Gomes
Fui ao Museu do Cairo para ver e contar o que se passa lá dentro, antes que este belíssimo edifício seja apagado pelo novo museu mesmo à beira das Pirâmides. O antigo museu foi construído na Praça Tahrir entre 1897 e 1901 e, ao entrar, a porta monumental revela um mundo suspenso. Cruzei o umbral neoclássico, deixando para trás o burburinho da cidade, e vi-me num átrio rosado onde a luz das clarabóias ilumina colossos de pedra milenares.
Caminhei pelos corredores densos até à Sala das Múmias Reais, um santuário de penumbra e silêncio absoluto. Ali, Ramsés II exibe o seu perfil aquilino e cabelos ruivos preservados, enquanto Seti I repousa com uma serenidade mística. Ao lado, Tutmés II mantém a postura de quem desafiou a morte através da técnica perfeita do linho e do natrão. Entre o cheiro a poeira antiga e a vigilância de guardas de olhar seco e ancestral, senti a imortalidade técnica de um império. Cada amuleto e grão de pimenta usado no embalsamamento cumpriu a sua promessa: manter estes reis vivos na nossa memória, guardados por paredes que já resistiram a revoluções.
Enfretaram os saqueadores
Um facto pouco conhecido e fascinante é que, durante a Revolução Egípcia de 2011, quando o museu foi ameaçado por pilhagens, centenas de cidadãos egípcios formaram uma corrente humana em volta de todo o edifício. Eles deram as mãos para criar um escudo vivo, protegendo os tesouros ancestrais até que o exército chegasse, demonstrando uma união civil sem precedentes para salvar o seu património.
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Ele estava a um canto, quase parecia uma estátua imóvel, calado, fundindo a sua pele escura com as sombras do granito. Aproximei-me e perguntei-lhe: "Quem és tu?". - Eu sou o guarda deste museu - respondeu ele, com uma voz seca que parecia vir do fundo dos séculos. - Estás aqui há muito tempo? Pareces fazer parte destas paredes. - Desde pequeno. O meu pai vigiava estas salas e eu trazia-lhe o pão. Cresci a correr por entre estes sarcófagos como se fossem a mobília da minha casa.
- Não te sentes só entre tantos mortos e pedras frias? — Eles não são pedras para mim. São amigos, são família. Conheço cada ruga de Ramsés e cada detalhe de Seti. Eu falo com eles no silêncio da noite. - E o que te dizem eles? - Dizem que o Egito é eterno e que eu sou apenas mais um elo da corrente. Vi revoluções lá fora, mas aqui dentro, nada muda. Sou o último amuleto deste edifício rosado. Enquanto eu aqui estiver, eles nunca estarão sozinhos. x

Um sono com 3 mil anos
Ao entrar na Sala das Múmias Reais, a atmosfera muda imenso; a temperatura é controlada e a iluminação é mínima para proteger os tecidos orgânicos. A sala é revestida com vitrines de vidro de alta tecnologia, onde o silêncio é quase absoluto, interrompido apenas pelo murmúrio distante dos corredores principais.
Nesta sala, encontrei Ramsés II, o faraó mais célebre do Império Novo. A sua múmia é impressionante pela preservação: o nariz aquilino e proeminente mantém a estrutura, e os seus cabelos, que eram naturalmente ruivos, ainda são visíveis, conferindo-lhe uma aparência majestosa mesmo após 3.000 anos.
Ao seu lado, repousa Tutmés II, cujo corpo revela uma figura mais franzina, mas igualmente imponente pela técnica de embalsamamento. As mãos de ambos estão cruzadas sobre o peito, a posição clássica da realeza, e a pele, embora escurecida pelas resinas, mantém detalhes como as unhas e as dobras das articulações, tornando a ligação com o passado quase palpável.
O faraó que amava conduzir o seu carro
Estou agora diante do Carro de Guerra de Tutancâmon e o meu coração dispara! É uma peça de engenharia leve e mortal, toda revestida a folha de ouro que brilha com uma intensidade quase hipnótica sob as luzes do museu.
O pormenor mais louco? O couro original das rédeas e do piso ainda está lá, esticado e preservado por 3.300 anos! Consigo imaginar o faraó a voar pelas areias, com as rodas de seis raios a girar freneticamente. É uma visão de poder puro, decorada com figuras de cativos asiáticos e africanos sob os pés do rei, simbolizando o domínio total. A precisão do entalhe na madeira é tão fina que parece impossível ter sido feita sem ferramentas modernas. É, sem dúvida, o "Ferrari" da Antiguidade!
A Nova VISÃO
de Margariuda Davim
Os jornalistas da Visão planeiam um negócio "prudente e realista" para os próximos dez anos. A estratégia foca-se na viabilidade económica, evitando riscos financeiros desnecessários.

A meta de 200 mil euros foi atingida para permitir a compra do título em leilão.
Gaza menina carrega irmã às costas
O video (https://youtu.be/demZteM3ofM?si=wnVGDhQOF4nIO36D) de menina de 8 anos, carregando a irmã doente em busca de auxílio, ficou como triste emblema da invasão de Gaza por Israel. As crianças estão a morrer de fome em casa enquanto os bombardeamentos incessantes reduzem a pó os acordos inúteis assinados em gabinetes distantes.
A suposta paz prometida por Trump revelou-se uma ilusão perigosa, servindo apenas para dar tempo a que a violência se intensificasse sem escrúpulos. É uma violação flagrante de qualquer decência humana: a diplomacia falha e o ego dos líderes mata, deixando os mais inocentes à mercê de explosões e do estômago vazio. Enquanto o mundo assiste a este jogo de poder, o silêncio da fome é o grito mais alto de uma guerra que ignora todas as regras..
https://youtu.be/tsCvhIrAL-w?si=Aqnp9L5WWploaPQY
Cartoonistas americanos de olho em Trump






Como aprender mandarim
Aprender mandarim tornou-se essencial perante a ascensão da China a potência dominante e líder do comércio global. Sendo a língua de negócios do futuro, o seu domínio oferece uma vantagem estratégica única no acesso a mercados e tecnologias de ponta.
Mais do que comunicação, é a chave para compreender a nova ordem económica mundial. Investir neste idioma é garantir competitividade num mundo que gravita cada vez mais em torno de Pequim.
Natália Correia: a liberdade exige desordem
Este é um dos poemas mais provocadores de Natália Correia, intitulado "Aviso". É uma peça curta, mas com uma voltagem de sarcasmo e inteligência típica da autora, onde ela critica a passividade e a falta de chama vital.

Aviso
"Cuidado com os que não bebem vinho. Com os que não sabem rir. Com os que não têm um segredo nem um pecado para contar.
Cuidado com os que não têm sede. Com os que não têm fome de ser. Com os que andam por aí com a alma lavada e engomada.
Cuidado com os que não têm dúvidas. Com os que não se perdem no caminho. Porque esses são os que, um dia, vos vão vender por um bocado de pão."
A Crítica à "Alma Engomada"
Este poema é uma lição de antropologia política e social. Natália utiliza o vinho, o riso e o pecado como metáforas para a humanidade autêntica.
A "Alma Engomada": É a imagem mais forte do poema. Natália desprezava a perfeição aparente, a moralidade excessivamente limpa e burocrática. Para ela, quem não erra, não arrisca ou não tem "sede" de vida, é alguém incompleto e, por isso, perigoso.
O Perigo da Falta de Dúvida: Ela avisa-nos contra os dogmáticos e os puritanos ("os que não têm dúvidas"). Na visão de Natália, a ausência de conflito interno e de paixão torna as pessoas frias e utilitárias, capazes de trair os outros ("vender por um bocado de pão") porque não têm uma ligação emocional profunda com a existência.
A Rebeldia como Ética: O poema defende que o "erro" e o "pecado" são provas de que estamos vivos e que temos uma consciência própria, não formatada pelo sistema. É um apelo a que nos rodeemos de gente real, "suja" de vida, em vez de figuras de cartão que seguem as regras apenas por falta de imaginação.
Este texto resume bem a filosofia de Natália: a ideia de que a liberdade exige uma certa dose de desordem e de prazer.
Creio em Ti, ó Noite
Creio em ti, ó noite, mãe do sono, quando o silêncio de mãos dadas com a minha alma em abandono, percorre as galerias desoladas deste castelo que sou eu.
Creio em ti, ó noite, deusa escura, de cuja fronte desce um véu de sombra sobre a minha dor e a minha desventura. Só tu, ó noite, sabes quanto assombra o vácuo de um destino que não é o meu.
Creio em ti, ó noite, e no teu abraço, no teu hálito de terra e de estrelas, que me levam para além do tempo e do espaço. Creio na luz que nasce de te vê-las, quando o dia, enfim, em ti morreu.
Creio em ti, ó noite, e na promessa que trazes escrita no teu manto negro, de que a angústia um dia, enfim, cessa. No teu mistério, ó noite, me entrego, pois só em ti me encontro e sou eu.

O que torna este poema especial?
A Noite como Refúgio: Ao contrário de muitos poetas que temem as trevas, Natália saúda a noite como uma "mãe" e uma "deusa". É no escuro que ela consegue tirar as máscaras sociais e enfrentar o "castelo" que é o seu próprio interior.
O Destino: Ela fala do "vácuo de um destino que não é o meu", uma expressão poderosa sobre a pressão que a sociedade exerce para que sejamos algo que não queremos ser.
A Entrega: É um poema de rendição espiritual. Natália, que era uma mulher de luta constante durante o dia, revela aqui a sua vulnerabilidade e a sua busca por paz.
Este poema mostra a Natália Correia "filósofa", que via na natureza e no cosmos as respostas que a política e a lógica não conseguiam dar.








